É a velha pontada no peito, dando um nó, que mina o sorriso por centésimos de segundos. Às vezes mais. Enquanto não se admite a ruptura, nenhum riso aparece mesmo. Pode durar uns dias. A gente olha para dentro e para trás e pensa, pensa, pensa muito. Até perder toda a energia de tanto pensar, até entender quanta energia se gastou. Investir energia em algo que não dá sinais de que vai adiante é mesmo triste. Decidir que não se vai continuar a aposta é difícil. Mas necessário para que se siga sem que haja grandes feridas. Eu estou viva, em pé, e posso afirmar que sobrevivi decentemente a todas as rupturas. Não trago grandes feridas justamente porque escolhi, a tempo, terminar o que nunca talvez tivesse começado.
Aprendi ainda mais dessa ultima vez porque o tempo é mesmo necessário e a ansiedade da minha alma não me favorecia. Usei todo o meu freio, toda a minha paciência, esperei como se deve. Até chegar ao limite. Eu não consigo viver tudo ao mesmo tempo, se não seria ótimo. Só que não seria justo.
Esperei pacientemente os gestos, os mínimos, que sustentassem a minha espera e sustentassem a minha fé no futuro. Era frágil. Como quase tudo que se vive nesse tempo de relações líquidas.
Eu prefiro a resposta clara, a palavra reta, o papo objetivo. Ele virá, ou não. Aqui dentro a decisão foi tomada. Em mim, definitivamente, o encanto acabou. Só resta um nó, que logo vai ser digerido, como tantos nós que vieram.
Quando ele chegar, eu não terei dúvida. Haverá paciência, mas não tanta dúvida. Esse é o discurso que eu sempre defendi: onde há esse tanto de dúvida não há terreno para que nasça nada tão forte, bom e do jeito que quero. Nada definitivo. Mas, sim, que tenha raiz.
Quando tiver que ser, será. Até lá, eu decididamente não vou mais gastar tanta energia. Já deu. Já dei tudo o que tinha que dar.
Depois das cinzas do Carnaval, que siga o ano. Minha especialidade é ser fênix – estarei renascida.
Como sempre o texto é claro, direto e impregnado de emoção, o que o torna especial, o que faz com que nos identifiquemos com a situação descrita. Renascer, esse é o mistério. Reconhecer a hora exata de recuar, ceder, modificar a rota e seguir em frente em busca de outro norte. Obrigada por compatilhar conosco essa decisão.
ResponderExcluirFernanda Cid