Meus novos passos
Um espaço para escrever sobre a minha nova vida e meus novos passos. Eu, borboleta, voando com asas novas sobre esse mundo imenso - tão novo.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Âncoras
Algumas pessoas nascem com um defeito de fábrica, um dom, um vício, uma coisa que não sei direito explicar, mas tem a ver com a busca permanente da consciência de si e do mundo ao redor. Eu nasci assim. No começo, uns bons anos atrás, achava que era um carma, algo ruim, esse excesso de sensibilidade e essa busca incessante por se conhecer, conhecer o outro, num nível mais elevado. Com o tempo entendi que essa foi uma bênção, um presente, um tesouro.
Sim, muitas vezes acordo com o pé esquerdo e questiono (porque questionar faz parte da coisa) se a ignorância não seria melhor. Mas o fato é que gosto de ser o que sou, de ter me tornado o que me tornei. Especialmente quando reconheço os benefícios que esses caminhos me trazem.
Os últimos dias, apesar de turbulentos do ponto de vista prático (trabalho, casa, tarefas, compromissos) têm sido saborosos do ponto de vista reflexivo. Algumas descobertas preciosas que faço acontecem de um jeito completamente inusitado: vendo um filme ou uma criança correndo pelo shopping. Este final de semana, por exemplo, imagens assim me levaram a uma deliciosa conclusão. Eu tenho âncoras poderosas que me “seguram” em momentos de turbulência. Não confiar nessas âncoras é um desrespeito à força delas – e à minha própria.
De posse dessa força eu volto a escrever, depois de deixar meu blog um tempo meio abandonado. Para contar a vocês quais são minhas âncoras. Algumas delas. Para que eu mesma me lembre disso quando o mar parecer turbulento e o meu barco estiver meio sem rumo. Âncoras são pessoas, acontecimentos, conquistas, situações que provocam em nós a sensação de felicidade, alegria e plenitude. Essas âncoras nos prendem ao mundo, justificam a nossa existência, fazem a vida ter um sentido e tudo valer a pena. Pensa num momento muito feliz da sua infância, numa situação que te causou imensa alegria, numa pessoa que só de olhar te traz conforto e te lembra que viver é bom. Isso é âncora. Aprendi um pouco sobre elas fazendo análise, reconheci ainda mais sobre isso recentemente, no delicioso círculo do LT – recheado de âncoras preciosas para mim.
Neste final de semana, ao invés de pensar apenas nas minhas fragilidades – coisas que preciso mudar, aprender, melhorar, nessa busca contínua por ser mais feliz (e fazer pessoas que amo felizes também), eu me flagrei pensando no que me torna mais forte. Percebi que tenho uma lista imensa de coisas que me tornam mais forte. Só não me dou conta sempre que elas existem e estão ao meu alcance. Só não as uso com a frequência com que poderia.
Comecei vendo Marisol correndo pelo shopping, sorrindo lindamente, e me dei conta de que participar da vida dela (e dos pais dela, meus amigos há mais de dez anos) é um dos meus maiores presentes. É a consagração sublime de uma amizade solidamente construída com Carol e com Marlon. Amizade dessas que os anos só fortalecem, sabe? Lembrei de uma entrevista do Oswaldo Montenegro falando de afeto, de que essa é a única coisa que importa e vale na vida, e é isso que penso. Lembrei que conheci Oswaldo no mesmo círculo que me apresentou Carol e Marlon. O circulo magico do teatro, da biodança, em cuja roda passaram pessoas que até hoje fundamentam a construção da minha identidade. Hilda me trouxe gente como Deco e Sol, Feitoza e Michelle, Violeta e Marlon, que fazem parte da minha vida hoje do mesmo jeito que há dez anos atrás –só que de um jeito melhor, mais maduro e gostoso.
Desse círculo herdei amizades que o tempo e a distância não abalam. Amizades que são cruciais para que eu me lembre quem fui e o que me tornei. Conversar com Sol e Deco me traz a certeza do quanto evoluí, em todos os sentidos. E vejo nele mais uma âncora, além do afeto incondicional que eles me despertam: a âncora de ser quem sou hoje, uma mulher mais bonita e corajosa que antes, que conquistou quase tudo a que se propôs. Que superou uma porrada de pedras no caminho e seguiu em frente. Eles são o espelho do que conquistei e olhando-os vejo que não foram poucas as conquistas que todos, nós três, fizemos juntos.
A amizade de Sol, Deco, Marlon, a chegada de Marisol, o casamento de Deco com Marquito, conhecer Kelly – tudo isso me faz ter a certeza da edificação de uma rede de afeto não perecível, que são a base de uma âncora poderosíssima. Ser madrinha de Marisol, receber essa responsabilidade E presente, só me dei conta agora, é muito mais poderoso do que eu supunha. A minha vida se nutre por esses fatos, por essa rede, por essas relações.
Do mesmo modo precioso que ela se tece e fundamenta pela presença da Grazi e do Victor em minha vida. Eu serei madrinha deles neste final de semana em que celebram seu casamento e, apesar de nossa amizade ser cronologicamente recente em comparação a minha com Carol e Deco, por exemplo, o fato é que este casal se tornou uma ancora poderosa e linda em minha vida também. Uma âncora atrelada à existência de outras, duas dúzias de Silvas e Gaivotas que fizeram e devem fazer parte da minha vida para todo o sempre. Essa rede (que pode facilmente se desfazer tempos depois de um treinamento de liderança como esse que fizemos juntos, se não for cuidada), em nosso caso se fortaleceu e avançou. Somos MESMO uma grande família. Eu daria um cheque em branco com meu nome assinado para a Grazi e o Victor, como daria para o Cris e a Li, para o Rei ou para o Davilson, para a Regi ou para o Fernando e a Quel. Eu entregaria a minha vida nas mãos deles, da família Signa Trevisan, e de toda essa rede que se forma ao redor deles. Nem tudo e nem todos ficam, é verdade – mas os que ficam, e isso a gente sente desde o começo, eu sei que é para sempre. Como sabia quando vi Deco dançar pela primeira vez, uns tantos anos atrás, na primeira aula de biodança que fizemos juntos.
Minha amiga e chefe, Rosa, é outra âncora preciosa que o tempo fixou em minha vida. Em meu primeiro emprego, eu era sua estagiária, sabia que a gente não se separaria nunca mais. E o tempo tratou de nos aproximar, e aqui estou eu integrando a equipe dela há preciosos quatro anos – de tanto aprendizado e evolução. Vejo Rosa, agora mãe de Helena, e sinto pelas duas um amor imenso e incondicional. O mesmo amor que sinto por Carol e Marisol. E pelas vidas que surgem ao redor daqueles que amo. E eu não amo pouco. Não sei amar pouco. Amo muito.
Minha mãe, outra âncora poderosa, e nossa relação sempre sendo reconstruída, repensada, reoxigenada, é a primeira e mais crucial âncora que tenho. E ela me traz a memória da âncora fundamental do meu pai, e me trouxe outras tantas âncoras de momentos felizes que tive com a minha irmã. Quando eles se separaram pela primeira vez, eu e Juliana ainda eramos pequenas, choramos juntas na areia da praia, em frente ao mar, vendo estrelas cadentes e cantando “há de surgir... uma estrela no ceu cada vez que ocê sorrir”. E lembrar dessa âncora importante dissolve toda a memória das brigas que tivemos, e me lembra que o sentimento mais nobre que eu posso e devo nutrir por ela só pode ser esse – o amor. A despeito e apesar de todas as adversidades do caminho.
A vida não é só feita de momentos felizes, eu sei. Mas lembrar dessas coisas, dessas minhas âncoras, fazem meu olho encher de lágrima e meu peito de um amor infinito. E isso é a minha verdadeira identidade, é a minha origem, é tudo que sei e sou. É a teia que me constitui, é a razão pela qual estou viva. Amor é tudo que sei e quero aprender. Tudo que precisa ficar depois que passam as tempestades.
Que eu possa olhar para as pedras no caminho trazendo no peito essa força infinita. Essa força do olhar de Marisol, do beijo de boa noite da minha mãe, da minha amiga afirmando sem titubear que me daria um cheque em branco, da musica que cantei com a minha irmã na praia, das estrelas cadentes que vimos juntas, da dança de Deco, do olhar de Vivi, das danças que vivemos nas rodas conduzidas por Hilda, que me deu tantas âncoras importantes para me direcionar nessa vida. Essa força das palavras de Gabi Lacerda e de Paula Berbert, que amo para sempre. Dos dengos de Binho, da presença de tanta gente especial que passou pelo meu caminho e eu seria tremendamente injusta se tentasse listar todas aqui. Há muita gente especial e importante em minha jornada.
Tive mestres preciosos, grandes professores, e cúmplices que mantém meu coração aquecido. Posso querer estar na concha muitas vezes, posso ter dias difíceis, posso quase perder a lucidez de tanto pensar – e buscar respostas. Mas sempre, sempre terei essa rede me lembrando o quanto é bonito e bom estar aqui.
Sempre haverá as memórias dos beijos, dos abraços, dos cheiros, dos sabores, das músicas, dos toques, dos risos, das lágrimas partilhadas. Sempre haverá esse calor de agora lembrando porque merecemos viver, porque é importante estar aqui, e que tudo tem sentido mesmo que muitas vezes não pareça ter nenhum.
Viver é esse doce mistério que me encanta diariamente. Eu não posso deixar de escrever sobre isso, ainda que muitas vezes seja preciso olhar atentamente para desfazer os novelos que se formam bagunçando tudo. Nem sempre é o amor que vai orientar essas mudanças. Muitas vezes o senso de autopreservação, o ímpeto, a dor me levarão a escolhas difíceis. Viver é afinar diariamente esse instrumento. Mas se eu tiver a chance, se me for dada a oportunidade, eu sempre vou escolher o caminho do amor. Se eu lembrar profundamente de onde vim e do que importa, e do que fica, entenderei (como vejo agora, claramente) que tudo o mais é apenas instrumento para nos trazer essa compreensão. De que o amor é a única coisa que vale a pena. É tudo que faz sentido.
É tudo o que desejo, é tudo que todos nós desejamos: amor puro, verdadeiro, simples e bonito, como o sorriso da Marisol e o beijo da Grazi e do Victor.
Amo. Simplesmente amo esse amor que essa gente me faz sentir.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Lonelly sky
Já não tenho mais a necessidade antiga de parecer bem. Por trás de mim estou eu – e sou tudo que meus olhos revelam, descaradamente. Não mudo mais o tom da voz, não disfarço, minha maquiagem é simples. Falo o que tenho vontade de falar, pondero um pouco apenas para não causar constrangimento excessivo, mas discorro sobre qualquer tema sem tantos filtros. Não vou parecer o que não sou, para que não se alimente a ilusão de permanência de um personagem que não sustentarei mais tarde. Por isso se não me sinto bem, aviso; se não quero comer japonês, anuncio; se não estou disposta a ouvir som alto essa noite, deixo claro. Sou eu, inteira, que vou – e não quero estar perto de ninguém que se satisfaça apenas com meus pedaços ou disfarces.
Sim, eu tenho muita coisa bacana para contar de mim. Tenho um milhão de histórias, posso provocar bilhões de risos. Mas é que na hora que eu precisar chorar, você vai encarar minhas lágrimas e ponto final. Nunca mais vou sorrir disfarçando qualquer vontade de chorar. Não nos meus espaços privados. Nos que são públicos, por questão de sobrevivência, ainda preciso de algum disfarce.
Admito minha humanidade sem nenhum pudor. Eis-me aqui, com todo o meu luxo e meu lixo – com toda a minha luz e a minha sombra. Eu nunca vou te contar todas as minhas virtudes sem sinalizar os defeitos. Eu jamais vou mentir e isso vai te assustar. Minha sinceridade tem me incomodado a mim mesma, mas não vou abrir mão dela nunca mais. Sinto muito.
Entendo o quanto isso filtra ainda mais o meu caminho, o quanto afunila minha estrada. Eu sei exatamente o preço que tenho que pagar por ser quem sou, e estou aprendendo dia-a-dia a lidar com isso. Encaro meu olhar no espelho e me fito sem vergonha de ser quem sou, porém. Isso vale tudo. Compensa todas as escolhas que fiz.
Não deixo mais na sua mão a possibilidade de escolher se quer caminhar comigo. Agora, sou eu quem escolho. Também trago a consciência do quanto isso me distancia de todos e o quanto isso é um fardo – ao tempo que é meu bálsamo. Mas eu simplesmente não abro mão de ser eu, com todo o meu pulso e com todo o meu fogo – com toda a terra e todo o ar – todo o risco e todo o dilema.
Esse paradoxo que me constitui, através do qual me revelo desnuda e inteira, é tudo que preciso ser. Aparo as arestas que me incomodam porque tenho metas claras para me tornar melhor, dia após dia. Mas não, não serei perfeita. E esse pacote inteiro, meu amigo, é tudo o que eu tenho para oferecer. E não mais com a mesma inocência de antes, porque o tempo nos endurece mesmo. Se quiser o que escondi dentro, se esforce para quebrar minha casca.
Será mais difícil, eu sei. Mas essa é a minha escolha. Voar pelo céu solitário até que haja um encontro que faça sentido. Do lado, só gente que sabe voar. Das coisas rasas eu fico só com aquilo de que me alimento. O resto está alto. E é para lá que eu vou, se quiser me buscar.
Inicio meu longo vôo solitário até recuperar minha força e voltar com penas novas. Isso acontecerá, cedo ou tarde. Minha força de fênix permanece aqui, intacta.
Sim, eu tenho muita coisa bacana para contar de mim. Tenho um milhão de histórias, posso provocar bilhões de risos. Mas é que na hora que eu precisar chorar, você vai encarar minhas lágrimas e ponto final. Nunca mais vou sorrir disfarçando qualquer vontade de chorar. Não nos meus espaços privados. Nos que são públicos, por questão de sobrevivência, ainda preciso de algum disfarce.
Admito minha humanidade sem nenhum pudor. Eis-me aqui, com todo o meu luxo e meu lixo – com toda a minha luz e a minha sombra. Eu nunca vou te contar todas as minhas virtudes sem sinalizar os defeitos. Eu jamais vou mentir e isso vai te assustar. Minha sinceridade tem me incomodado a mim mesma, mas não vou abrir mão dela nunca mais. Sinto muito.
Entendo o quanto isso filtra ainda mais o meu caminho, o quanto afunila minha estrada. Eu sei exatamente o preço que tenho que pagar por ser quem sou, e estou aprendendo dia-a-dia a lidar com isso. Encaro meu olhar no espelho e me fito sem vergonha de ser quem sou, porém. Isso vale tudo. Compensa todas as escolhas que fiz.
Não deixo mais na sua mão a possibilidade de escolher se quer caminhar comigo. Agora, sou eu quem escolho. Também trago a consciência do quanto isso me distancia de todos e o quanto isso é um fardo – ao tempo que é meu bálsamo. Mas eu simplesmente não abro mão de ser eu, com todo o meu pulso e com todo o meu fogo – com toda a terra e todo o ar – todo o risco e todo o dilema.
Esse paradoxo que me constitui, através do qual me revelo desnuda e inteira, é tudo que preciso ser. Aparo as arestas que me incomodam porque tenho metas claras para me tornar melhor, dia após dia. Mas não, não serei perfeita. E esse pacote inteiro, meu amigo, é tudo o que eu tenho para oferecer. E não mais com a mesma inocência de antes, porque o tempo nos endurece mesmo. Se quiser o que escondi dentro, se esforce para quebrar minha casca.
Será mais difícil, eu sei. Mas essa é a minha escolha. Voar pelo céu solitário até que haja um encontro que faça sentido. Do lado, só gente que sabe voar. Das coisas rasas eu fico só com aquilo de que me alimento. O resto está alto. E é para lá que eu vou, se quiser me buscar.
Inicio meu longo vôo solitário até recuperar minha força e voltar com penas novas. Isso acontecerá, cedo ou tarde. Minha força de fênix permanece aqui, intacta.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Porque todo Carnaval tem seu fim
É a velha pontada no peito, dando um nó, que mina o sorriso por centésimos de segundos. Às vezes mais. Enquanto não se admite a ruptura, nenhum riso aparece mesmo. Pode durar uns dias. A gente olha para dentro e para trás e pensa, pensa, pensa muito. Até perder toda a energia de tanto pensar, até entender quanta energia se gastou. Investir energia em algo que não dá sinais de que vai adiante é mesmo triste. Decidir que não se vai continuar a aposta é difícil. Mas necessário para que se siga sem que haja grandes feridas. Eu estou viva, em pé, e posso afirmar que sobrevivi decentemente a todas as rupturas. Não trago grandes feridas justamente porque escolhi, a tempo, terminar o que nunca talvez tivesse começado.
Aprendi ainda mais dessa ultima vez porque o tempo é mesmo necessário e a ansiedade da minha alma não me favorecia. Usei todo o meu freio, toda a minha paciência, esperei como se deve. Até chegar ao limite. Eu não consigo viver tudo ao mesmo tempo, se não seria ótimo. Só que não seria justo.
Esperei pacientemente os gestos, os mínimos, que sustentassem a minha espera e sustentassem a minha fé no futuro. Era frágil. Como quase tudo que se vive nesse tempo de relações líquidas.
Eu prefiro a resposta clara, a palavra reta, o papo objetivo. Ele virá, ou não. Aqui dentro a decisão foi tomada. Em mim, definitivamente, o encanto acabou. Só resta um nó, que logo vai ser digerido, como tantos nós que vieram.
Quando ele chegar, eu não terei dúvida. Haverá paciência, mas não tanta dúvida. Esse é o discurso que eu sempre defendi: onde há esse tanto de dúvida não há terreno para que nasça nada tão forte, bom e do jeito que quero. Nada definitivo. Mas, sim, que tenha raiz.
Quando tiver que ser, será. Até lá, eu decididamente não vou mais gastar tanta energia. Já deu. Já dei tudo o que tinha que dar.
Depois das cinzas do Carnaval, que siga o ano. Minha especialidade é ser fênix – estarei renascida.
Aprendi ainda mais dessa ultima vez porque o tempo é mesmo necessário e a ansiedade da minha alma não me favorecia. Usei todo o meu freio, toda a minha paciência, esperei como se deve. Até chegar ao limite. Eu não consigo viver tudo ao mesmo tempo, se não seria ótimo. Só que não seria justo.
Esperei pacientemente os gestos, os mínimos, que sustentassem a minha espera e sustentassem a minha fé no futuro. Era frágil. Como quase tudo que se vive nesse tempo de relações líquidas.
Eu prefiro a resposta clara, a palavra reta, o papo objetivo. Ele virá, ou não. Aqui dentro a decisão foi tomada. Em mim, definitivamente, o encanto acabou. Só resta um nó, que logo vai ser digerido, como tantos nós que vieram.
Quando ele chegar, eu não terei dúvida. Haverá paciência, mas não tanta dúvida. Esse é o discurso que eu sempre defendi: onde há esse tanto de dúvida não há terreno para que nasça nada tão forte, bom e do jeito que quero. Nada definitivo. Mas, sim, que tenha raiz.
Quando tiver que ser, será. Até lá, eu decididamente não vou mais gastar tanta energia. Já deu. Já dei tudo o que tinha que dar.
Depois das cinzas do Carnaval, que siga o ano. Minha especialidade é ser fênix – estarei renascida.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Voar durante a tempestade
Já não sei mais se o que sinto é saudade ou simples inquietação após o silêncio. Tento entender esse breu, esse abismo – há razões práticas para sua existência. Só que eu leio as entrelinhas, aprendi a ler assim desde sempre. Sim, muitas vezes é só uma inferência exagerada, resquício de uma insegurança que eu já resolvi, de alguma forma – pedaços da mulher antiga. Só que o silêncio recupera essas coisinhas soltas e me traz de volta o nó, a dúvida. Eu engasgo e estremeço.
Como se no caminho reto houvesse a mesma curva e eu já conhecesse essa sensação, de outros tempos. Piso no freio com a mesma rapidez com que acionei o acelerador e me deixei ir. Eu não bato mais. Eu não vou me ferir. O senso de proteção, hoje tão mais aguçado, criou em mim um imbatível aparato quase bélico. Uma vez que sinto cheiro de perigo, que pressinto que não vai dar certo, as luzes piscam e as sirenes disparam. As portas travam, o alarme é ativado. Eu viro de volta uma caixinha pequena bem lacrada e me isolo de qualquer possibilidade de abertura. Eu não choro. O tempo secou muitas das lágrimas que antes habitavam em mim. Mas reconheço as nuvens e pressinto a tempestade. Abro todos os guarda-chuvas e me escondo. Só não sorrio.
É um desperdício. Às vezes penso que uma injustiça, até. O que sinto e o que doo não é mais pesado como antes. É leve e saudável. É suave e bom. É um alimento que a mim me satisfaria, completamente. Tanto quando a convivência comigo mesma se tornou – deliciosa. Só que eu não entendo o fluxo, o jogo, os passos para frente e para trás. Penso que posso ir, sinto que dá para dar um passo adiante – e vou. E, ali na frente, ao menor sinal de ruído, eu piso no breque.
Entender o que acontece do outro lado tem sido o meu maior desafio, já que em mim eu conheço o terreno e entendo cada reação. Brigo com minhas tentativas de auto sabotagem. O problema é que EU tenho essas ferramentas novas. Não posso obrigar o outro a usar o que não tem. Na minha análise, bem fundamentada, desconfio das razões: há insegurança, eu assusto, minha força intimida. Faço gênero, sou mesmo bem menina muitas vezes, tento mostrar que sou tão humana quanto o outro é – e por isso falível e boba; sensível e sujeita aos erros. O que passo é a sensação de que nada disso me derruba, de que sigo. E talvez essa reação, minha defesa natural, assuste o outro ainda mais.
Nas últimas vezes eu realmente me propus a fazer tudo diferente, bem certinho, cumprindo à risca os bons manuais de conduta dos inícios de relação. Moderar no “grude”, ser fofinha com limite, respeitar os tempos (do outro e meu), entender melhor, falar de forma comedida, me expor idem. Ouvir e falar equilibradamente. Ser espelho. Maneirar nas expectativas. Deixar fluir. E, pela fórmula não deixar dúvida, acreditei sinceramente que estivesse no caminho certo. Sem ignorar, claro, o fator sentimento (que por sua vez traz consigo o fator química intimamente atrelado). Estava tudo bem bonitinho, bem amarrado. E daí alguma coisa aconteceu.
Eu ainda não sei o que é. Nem sei se procede, se tem fundamento. Pode ser tudo apenas uma construção mental precipitada, ignorando a maneira especial que o outro tem de lidar com as próprias emoções que surgem. Só que eu sou pássaro e vôo – permanecer “esperando” muito tempo com os pés no chão não é mesmo o meu perfil. E essa foi uma determinação minha, de mim para mim mesma: eu só quero viver uma relação onde possa ser eu mesma. Aparar arestas sim, sempre – mas cortar as asas e abrir mão da essência: jamais. Todo mundo que sustenta uma relação assim, mais cedo ou mais tarde se frustra e se deixa morrer quando o outro parte. Eu não quero mais morrer se o outro partir. Eu quero me sustentar, sempre, para que o outro jamais seja responsável por me manter em pé – mas sim para ser cúmplice em voos maiores.
Não tem jeito. Eu fui picada pelo bichinho do autoconhecimento e ele é implacável. Faz você querer mais, sempre mais, do que o que está na média. Quando você se conhece, e sabe que está acima da média, não quer mais pouco. Nem quer nada nebuloso, ou estranho, ou arredio demais. É preto no branco. É ou não é. Tudo ou nada.
Não vou me precipitar, tomar decisão nenhuma sozinha. Por enquanto. A não ser que me incomode profundamente o excesso de silêncio. Até lá vou encarar essa nuvem. Uma hora ela chove e passa. Ou dispersa e deixa o sol mais forte surgir. Por ora é apenas nuvem. E, como toda nuvem, passa.
Como se no caminho reto houvesse a mesma curva e eu já conhecesse essa sensação, de outros tempos. Piso no freio com a mesma rapidez com que acionei o acelerador e me deixei ir. Eu não bato mais. Eu não vou me ferir. O senso de proteção, hoje tão mais aguçado, criou em mim um imbatível aparato quase bélico. Uma vez que sinto cheiro de perigo, que pressinto que não vai dar certo, as luzes piscam e as sirenes disparam. As portas travam, o alarme é ativado. Eu viro de volta uma caixinha pequena bem lacrada e me isolo de qualquer possibilidade de abertura. Eu não choro. O tempo secou muitas das lágrimas que antes habitavam em mim. Mas reconheço as nuvens e pressinto a tempestade. Abro todos os guarda-chuvas e me escondo. Só não sorrio.
É um desperdício. Às vezes penso que uma injustiça, até. O que sinto e o que doo não é mais pesado como antes. É leve e saudável. É suave e bom. É um alimento que a mim me satisfaria, completamente. Tanto quando a convivência comigo mesma se tornou – deliciosa. Só que eu não entendo o fluxo, o jogo, os passos para frente e para trás. Penso que posso ir, sinto que dá para dar um passo adiante – e vou. E, ali na frente, ao menor sinal de ruído, eu piso no breque.
Entender o que acontece do outro lado tem sido o meu maior desafio, já que em mim eu conheço o terreno e entendo cada reação. Brigo com minhas tentativas de auto sabotagem. O problema é que EU tenho essas ferramentas novas. Não posso obrigar o outro a usar o que não tem. Na minha análise, bem fundamentada, desconfio das razões: há insegurança, eu assusto, minha força intimida. Faço gênero, sou mesmo bem menina muitas vezes, tento mostrar que sou tão humana quanto o outro é – e por isso falível e boba; sensível e sujeita aos erros. O que passo é a sensação de que nada disso me derruba, de que sigo. E talvez essa reação, minha defesa natural, assuste o outro ainda mais.
Nas últimas vezes eu realmente me propus a fazer tudo diferente, bem certinho, cumprindo à risca os bons manuais de conduta dos inícios de relação. Moderar no “grude”, ser fofinha com limite, respeitar os tempos (do outro e meu), entender melhor, falar de forma comedida, me expor idem. Ouvir e falar equilibradamente. Ser espelho. Maneirar nas expectativas. Deixar fluir. E, pela fórmula não deixar dúvida, acreditei sinceramente que estivesse no caminho certo. Sem ignorar, claro, o fator sentimento (que por sua vez traz consigo o fator química intimamente atrelado). Estava tudo bem bonitinho, bem amarrado. E daí alguma coisa aconteceu.
Eu ainda não sei o que é. Nem sei se procede, se tem fundamento. Pode ser tudo apenas uma construção mental precipitada, ignorando a maneira especial que o outro tem de lidar com as próprias emoções que surgem. Só que eu sou pássaro e vôo – permanecer “esperando” muito tempo com os pés no chão não é mesmo o meu perfil. E essa foi uma determinação minha, de mim para mim mesma: eu só quero viver uma relação onde possa ser eu mesma. Aparar arestas sim, sempre – mas cortar as asas e abrir mão da essência: jamais. Todo mundo que sustenta uma relação assim, mais cedo ou mais tarde se frustra e se deixa morrer quando o outro parte. Eu não quero mais morrer se o outro partir. Eu quero me sustentar, sempre, para que o outro jamais seja responsável por me manter em pé – mas sim para ser cúmplice em voos maiores.
Não tem jeito. Eu fui picada pelo bichinho do autoconhecimento e ele é implacável. Faz você querer mais, sempre mais, do que o que está na média. Quando você se conhece, e sabe que está acima da média, não quer mais pouco. Nem quer nada nebuloso, ou estranho, ou arredio demais. É preto no branco. É ou não é. Tudo ou nada.
Não vou me precipitar, tomar decisão nenhuma sozinha. Por enquanto. A não ser que me incomode profundamente o excesso de silêncio. Até lá vou encarar essa nuvem. Uma hora ela chove e passa. Ou dispersa e deixa o sol mais forte surgir. Por ora é apenas nuvem. E, como toda nuvem, passa.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Beijo, não me liga. :)
Engoli o choro e trinquei de raiva por dentro. Tive vontade de mandar para a puta que o pariu. Não aconteceu uma nem duas vezes. Foram mais. E isso me tirou do eixo, momentaneamente: o que havia de errado na minha rota? Por que diacho os meus ajustes estavam incomodando tanta gente? A insegurança excessiva de antes, substituída herculeamente pela confiança de agora, confrontava-se com os espelhos investidos e me colocavam em xeque: era essa pessoa que queria me tornar? E ela é melhor do que a que eu era antes? Por que diacho ela incomoda tanto algumas pessoas, que antes me colocariam no colo e diziam que eu era “fofa”?
Essa dúvida me fez ter um final de ano esquisito. Cheio de perguntas, muita reflexão, autocrítica. Eu construí esse caminho e me orgulho dele. Olho para mim e acuso meus erros. Não tenho mais o menor constrangimento de admitir que estou errada, quando estou. Mas, na boa, não permito que invadam os meus limites. Não admito que meu caráter seja questionado, que minha índole seja posta em dúvida, simplesmente porque tenho mais consciência de mim e me tornei mais forte. Sim, eu me tornei mais forte. Não perdi a humanidade, a sensibilidade, o altruísmo. Mantenho as virtudes que me fundamentam. Mas decididamente amadureci e deixei de ser a menininha medrosa que chora por tudo e busca abrigo desesperadamente no outro para se manter em pé. Eu me mantenho em pé. Só. Não digo sempre amém.
Por que essa minha nova forma incomoda? Por que as pessoas excessivamente inseguras põe em xeque essa força que conquistei e tentam me “testar”, desestabilizar o que suei para tornar estável? Depois de uns bons dias em mim, pensando, resolvi fazer comigo mesma o que poderia ter feito com as que puseram isso em xeque: na boa? Vai se danar. Se eu incomodo agora, não só pela mudança da forma mas pela força, isso tem sim que ser celebrado – jamais questionado ou visto como algo negativo. Eu não perdi minha essência, bem longe disso, e quem me vê de mais perto – quem eu permito que me veja de perto, e isso sim é uma escolha hoje mais limitada – sabe quem sou. Entende que a mesma matéria que me constituía ainda me constitui. A diferença é que lido com o mundo de outro jeito. Lido comigo mesma, e com o outro, de um outro jeito. Com mais defesa sim, porque antes nem pele eu tinha – vivia me ferindo, superexposta que andava. Mas sem me trancar, sem me impor, sem me tornar arrogante. Definitivamente eu não sou assim.
O problema é que explicar a história de uma vida inteira para alguém que mal te conhece é um processo que tem me dado cada vez mais preguiça. Os erros de interpretação, a leitura que o outro faz de você (geralmente rasa, e geralmente avaliando apenas o que você desperta nela – de bom ou ruim) é o que determina quem você é. Eu não vou por esse caminho. Não vou entrar nesse jogo. Leitura nenhuma de mim vai pôr em xeque o que sou e o que me tornei. Fique perto quem me aguenta, quem consegue lidar com esse tanto de mulher que sou agora. Sim, melhor do que a de antes. Se a minha força incomoda, se carregar uma medalha no peito assusta, paciência. Não vou mais me esforçar para fazer as pessoas gostarem de mim. Com o tempo a gente descobre, mesmo, que gastar energia para agradar Deus e o mundo não vale a pena.
Eu tenho instrumentos suficientes na mão para detonar uma bomba atômica em cima de alguém que põe em xeque meu caráter baseado em argumentos rasos sobre como enxerga a minha atual força – que se reflete, sim, numa nova forma. Poderia, facilmente, com o mesmo dom que me foi dado de edificar com palavras, esmiuçar a autoestima de alguém. Especialmente se esse alguém me dá, de bandeja, muitos elementos para isso. Mas escolhi não fazê-lo. Escolhi, sim, engolir o choro e tremer de raiva por dentro. Calar. Abster-me de qualquer comentário. Porque eu sei lidar com minhas emoções; e as pessoas andam cada vez mais doentes para eu saber o que são capazes de fazer com elas mesmas se eu usar esse arsenal. Escolhi usa-lo APENAS para o bem.
Palavras e pensamentos, como um carro, podem sim ser usados como instrumentos de força – para o bem e para o mal. Percebo que cada vez menos as pessoas se preocupam com isso. Simplesmente “jogam” palavras e ofensas para fora, muitas vezes com o objetivo de diminuir alguém, porque isso falsamente faz com que se sintam melhores ou maiores. É um tempo tão cruel de competitividade esse que vivemos que entrar em confronto com o outro pelo terreno psicológico, o mais perigoso, virou rotina. Gente pequena demais faz isso com frequencia.
Acontece que eu curei minhas feridas mais importantes, me reinventei, me reconstruí, me virei do avesso, e não vou ameaçar essa solidez (desculpa se ela incomoda!) tomando para mim leituras tão rasas e, pior, que revelam mais do outro que de mim. Deixei-me machucar porque eventualmente rastros da Rafaela que fui vão surgir no caminho. Engoli o choro, sim, mas não chorei efetivamente. Não acho que ninguém mais mereça isso.
Este novo ano, para mim, é de reconstrução de relações baseadas na nova pessoa que me tornei. E essa nova pessoa, embora para mim e para os que amo (e que me amam) seja sim muito melhor, vai incomodar mesmo. Gente pequena e com estruturas internas muito frágeis não gostam de ter na frente um espelho invertido que lhes grite tudo que não conseguiram ser.
Admitir para mim mesma (e para o mundo) que não tenho nenhuma formação acadêmica em psicologia e psiquiatria para sanar o problema pontual desse tipo de gente foi o primeiro passo para me libertar da influência da opinião delas. “Vá se ferrar” é a resposta mais simples que posso dar a quem tem medo de se olhar, se encarar, colocar a mão em si, como eu fiz. Definitivamente esse tipo de gente eu não quero do meu lado. Sequer perto. Essa é minha meta de 2012: limpar as gavetas do que não presta. E muita coisa não presta, nesse mundo.
Que a gente gaste mais tempo com o que vale a pena. Se o mundo acabar mesmo neste novo ano, eu quero ter a sensação de que investi cada segundo no que importa. O que não importa, na boa: vai se danar! E se ficar de mal, de bico, com raiva: paciência. O meu melhor só pertence a quem é (ou tem, no mínimo vontade de se tornar) melhor.
Pronto. Desabafo feito, voltemos ao que importa: viver e ser feliz. Quem não quer isso: beijo, não me liga. rs
Essa dúvida me fez ter um final de ano esquisito. Cheio de perguntas, muita reflexão, autocrítica. Eu construí esse caminho e me orgulho dele. Olho para mim e acuso meus erros. Não tenho mais o menor constrangimento de admitir que estou errada, quando estou. Mas, na boa, não permito que invadam os meus limites. Não admito que meu caráter seja questionado, que minha índole seja posta em dúvida, simplesmente porque tenho mais consciência de mim e me tornei mais forte. Sim, eu me tornei mais forte. Não perdi a humanidade, a sensibilidade, o altruísmo. Mantenho as virtudes que me fundamentam. Mas decididamente amadureci e deixei de ser a menininha medrosa que chora por tudo e busca abrigo desesperadamente no outro para se manter em pé. Eu me mantenho em pé. Só. Não digo sempre amém.
Por que essa minha nova forma incomoda? Por que as pessoas excessivamente inseguras põe em xeque essa força que conquistei e tentam me “testar”, desestabilizar o que suei para tornar estável? Depois de uns bons dias em mim, pensando, resolvi fazer comigo mesma o que poderia ter feito com as que puseram isso em xeque: na boa? Vai se danar. Se eu incomodo agora, não só pela mudança da forma mas pela força, isso tem sim que ser celebrado – jamais questionado ou visto como algo negativo. Eu não perdi minha essência, bem longe disso, e quem me vê de mais perto – quem eu permito que me veja de perto, e isso sim é uma escolha hoje mais limitada – sabe quem sou. Entende que a mesma matéria que me constituía ainda me constitui. A diferença é que lido com o mundo de outro jeito. Lido comigo mesma, e com o outro, de um outro jeito. Com mais defesa sim, porque antes nem pele eu tinha – vivia me ferindo, superexposta que andava. Mas sem me trancar, sem me impor, sem me tornar arrogante. Definitivamente eu não sou assim.
O problema é que explicar a história de uma vida inteira para alguém que mal te conhece é um processo que tem me dado cada vez mais preguiça. Os erros de interpretação, a leitura que o outro faz de você (geralmente rasa, e geralmente avaliando apenas o que você desperta nela – de bom ou ruim) é o que determina quem você é. Eu não vou por esse caminho. Não vou entrar nesse jogo. Leitura nenhuma de mim vai pôr em xeque o que sou e o que me tornei. Fique perto quem me aguenta, quem consegue lidar com esse tanto de mulher que sou agora. Sim, melhor do que a de antes. Se a minha força incomoda, se carregar uma medalha no peito assusta, paciência. Não vou mais me esforçar para fazer as pessoas gostarem de mim. Com o tempo a gente descobre, mesmo, que gastar energia para agradar Deus e o mundo não vale a pena.
Eu tenho instrumentos suficientes na mão para detonar uma bomba atômica em cima de alguém que põe em xeque meu caráter baseado em argumentos rasos sobre como enxerga a minha atual força – que se reflete, sim, numa nova forma. Poderia, facilmente, com o mesmo dom que me foi dado de edificar com palavras, esmiuçar a autoestima de alguém. Especialmente se esse alguém me dá, de bandeja, muitos elementos para isso. Mas escolhi não fazê-lo. Escolhi, sim, engolir o choro e tremer de raiva por dentro. Calar. Abster-me de qualquer comentário. Porque eu sei lidar com minhas emoções; e as pessoas andam cada vez mais doentes para eu saber o que são capazes de fazer com elas mesmas se eu usar esse arsenal. Escolhi usa-lo APENAS para o bem.
Palavras e pensamentos, como um carro, podem sim ser usados como instrumentos de força – para o bem e para o mal. Percebo que cada vez menos as pessoas se preocupam com isso. Simplesmente “jogam” palavras e ofensas para fora, muitas vezes com o objetivo de diminuir alguém, porque isso falsamente faz com que se sintam melhores ou maiores. É um tempo tão cruel de competitividade esse que vivemos que entrar em confronto com o outro pelo terreno psicológico, o mais perigoso, virou rotina. Gente pequena demais faz isso com frequencia.
Acontece que eu curei minhas feridas mais importantes, me reinventei, me reconstruí, me virei do avesso, e não vou ameaçar essa solidez (desculpa se ela incomoda!) tomando para mim leituras tão rasas e, pior, que revelam mais do outro que de mim. Deixei-me machucar porque eventualmente rastros da Rafaela que fui vão surgir no caminho. Engoli o choro, sim, mas não chorei efetivamente. Não acho que ninguém mais mereça isso.
Este novo ano, para mim, é de reconstrução de relações baseadas na nova pessoa que me tornei. E essa nova pessoa, embora para mim e para os que amo (e que me amam) seja sim muito melhor, vai incomodar mesmo. Gente pequena e com estruturas internas muito frágeis não gostam de ter na frente um espelho invertido que lhes grite tudo que não conseguiram ser.
Admitir para mim mesma (e para o mundo) que não tenho nenhuma formação acadêmica em psicologia e psiquiatria para sanar o problema pontual desse tipo de gente foi o primeiro passo para me libertar da influência da opinião delas. “Vá se ferrar” é a resposta mais simples que posso dar a quem tem medo de se olhar, se encarar, colocar a mão em si, como eu fiz. Definitivamente esse tipo de gente eu não quero do meu lado. Sequer perto. Essa é minha meta de 2012: limpar as gavetas do que não presta. E muita coisa não presta, nesse mundo.
Que a gente gaste mais tempo com o que vale a pena. Se o mundo acabar mesmo neste novo ano, eu quero ter a sensação de que investi cada segundo no que importa. O que não importa, na boa: vai se danar! E se ficar de mal, de bico, com raiva: paciência. O meu melhor só pertence a quem é (ou tem, no mínimo vontade de se tornar) melhor.
Pronto. Desabafo feito, voltemos ao que importa: viver e ser feliz. Quem não quer isso: beijo, não me liga. rs
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Graaaaaaaaande 2011! :)
Vai chegando final do ano e inevitavelmente fazemos grandes balanços do que passou e do que virá. Eu já tenho feito o meu, e olhado com surpresa para o grande ano que vai chegando ao fim. 2011 foi exatamente do jeito que eu queria que fosse: grandioso. Como eu me propus a vivê-lo, aliás.
Fiz muitos planos e realizei cada um deles. Sem exceção. Foi a primeira vez que desenhei as coisas que queria fazer, as minhas metas, e olhando para elas constatei: todas cumpridas! É bem certo que a minha força pessoal foi o alicerce responsável pelo empreendimento destas conquistas – mas fazer o Leader Training em maio, e na sequencia o Gaivota em novembro, potencializaram toda a minha força. Conhecer pessoas que vibram nessa mesma sintonia, e perceber que este meu “bando” em São Paulo me dá estrutura para perseguir o que quiser, fez toda a diferença. Hoje eu sou a melhor pessoa que podia me tornar: física, emocional, espiritual e intelectualmente.
Retrospectiva 2011? Eliminei 50 quilos. Nunca pensei que pudesse, efetivamente, conquistar essa marca. Jamais imaginei que, além de emagrecer, pudesse manter uma estrutura física saudável e bacana, que leva as pessoas a duvidar que já fui, um dia, obesa. Fato é que fui, mas nunca mais serei. Hoje tenho o corpo que sempre quis ter, compro as roupas que sempre quis usar – e me sinto absolutamente linda nelas. Este ano, pela primeira vez na minha vida, usei tomara que caia. Fiz a mamoplastia, a etapa final do meu processo de mudança física, e consegui finalmente me libertar do último nó que me impedia de me olhar no espelho e me amar profundamente. Hoje eu me olho no espelho e constato: eu me amo profundamente.
Também este ano eu aprendi que a convivência comigo mesma pode ser algo extremamente prazeroso. E decidi que só quero caminhar do lado de alguém que me faça muito mais feliz do que já sou. E isso se torna difícil, sim, porque hoje me sinto profundamente feliz. Realizada em todos os aspectos. Encontrar um parceiro para partilhar a minha jornada é inevitável. Isso acontecerá, mais cedo ou mais tarde. Mas a pressa foi substituída pela constatação de que essa pessoa deve ser exatamente do jeito que espero que seja – e isso demanda, mais que tempo, paciência. A busca tornou-se deliciosa e leve. Como nunca antes foi.
Profissionalmente, adquiri toda a maturidade necessária para dar grandes saltos. E saltei muito este ano. Em todos os sentidos. Encerro o ano com a sensação de que cumpri uma missão extremamente difícil, que muitos duvidaram que fosse capaz de conseguir. Eu não só consegui. Eu superei as expectativas dos outros – e as minhas próprias. Encerro o ano colocando uma medalha em meu peito, orgulhosa. Eu consegui tudo que quis. E em 2012 conseguirei mais. Porque tenho uma equipe deliciosa de conviver, trabalho com gente que me respeita e que me admira – e pelas quais tenho um imenso carinho. Aprendi a ser uma líder exatamente do jeito que eu quero que sejam os meus líderes: capazes de ensinar pelo exemplo, pelo coração. Íntegros, éticos, capazes e humanos. Sei que dá para ganhar mais que salário onde se trabalha: dá para fazer da convivência com as pessoas uma escola preciosa. Eu aprendi esse ano muito mais que em todos os outros em termos de gestão de pessoas. E sei que há muito mais que aprender.
Mudei para São Paulo, moro há seis quadras do meu trabalho, e isso também fez toda a diferença na minha qualidade de vida. Consigo oferecer à minha mãe e a mim uma vida decente: sem grandes luxos, mas com todo o conforto que merecemos. Pela primeira vez na vida não sofri com o bolso – as coisas surgiram como mágica e eu consegui resolver, de uma vez, todas as pendências financeiras do passado, que me afligiam. Pela primeira vez, consegui juntar dinheiro. Pela primeira vez, fiz tudo que queria fazer. Comprei tudo que quis e precisava comprar. Dei todos os presentes que quis.
Vivi intensamente todo o fruto do trabalho que empreendi. Colhi os frutos e fiz bom uso deles. Comprei meu carro novo da cor e do jeito que sempre sonhei. Presenteei minha irmã com o Leader Training e ela finalmente virá morar conosco em São Paulo. A peça que faltava em nosso quebra-cabeça familiar. Desejo que ela partilhe do momento bom que temos vivido, e que construa aqui também sua própria história – e que isso a faça muito feliz. Ter minha irmã perto, depois de tudo que já vivemos (e superamos) deve fazer toda a diferença no novo ano que se aproxima.
Fiz grandes amigos, cuidei daqueles que me eram caros, recebi muita gente especial em meus novos bandos – e me distanciei de outras tantas. As que importam continuam perto, ainda que não fisicamente, porque uma ligação extra geográfica nos mantém unidos. As que não cabem mais na minha vida nova foram. Muitas pessoas chegaram – e muitas partiram com a mesma rapidez com que chegaram. E eu agradeci a Deus, silenciosamente, por cada uma dessas partidas – por mais difíceis que fossem. Sei que, no fundo, todas elas têm uma incrível razão de ser. E deixaram espaço para que o novo, o que importa, entrasse e permanecesse.
Fiz uma grande festa no meu aniversário de 30 anos. A mais especial da minha vida. A única, deste porte, que me permiti viver. Foi linda. Absolutamente linda. Registrei e guardarei para sempre em meu coração e em minha história. Um dia, se tiver filhos, vou mostrar a eles estas imagens. Eu quero ensina-los que eles podem (e devem) ser crianças sempre que quiserem. E que isso é uma delícia.
Adquiri uma autoconfiança incrível. Perdoei, em meu coração, todos que um dia me fizeram mal. Consegui me libertar de mágoas antigas, fiquei mais leve espiritualmente. Aproximei-me ainda mais de Deus, de um jeito menos conservador – e mais sincero. Confio plenamente nessa força. Tirei, pela primeira vez na vida, 30 dias de férias. Desliguei meu celular do trabalho e não li nenhum e-mail enquanto vivi esses dias. Também pela primeira vez. E foi ótimo. Comecei a estruturar um novo projeto literário, resgatando o meu grande e maior sonho – olhei para todos os sonhos antigos e percebi o quanto eles ainda estão vivos dentro de mim. Eu nasci para fazer uma grande diferença e ignorar essa missão não é mais uma opção.
Definitivamente descobri que preciso usar melhor meus dons e talentos. Que minha sensibilidade pode sim fazer a diferença nos ambientes em que circulo – e que, devidamente trabalhada, não precisa mais me fazer sofrer. No máximo vou sentir uma dorzinha aguda quando algo fugir do planejado. Mas este ano também descobri que a minha capacidade de recuperação melhorou absurdamente. Não passo mais de uma hora por dia triste. Nem mais de um dia por semana.
Descobri que as coisas podem ser mais leves e divertidas. Que a vida pode ter uma carga menor. Que é necessária uma boa dose de humor para se encarar as adversidades.
Descobri que meu sorriso é lindo, que posso sorrir muito mais do que antes. Que tenho muitos motivos para isso. E que, quando chorar, lavo a alma e recupero o riso. O mais rapidamente que puder.
2011, em síntese, foi um ano grandioso. O que me faz ter a certeza de que 2012 tem tudo para o superar.
Que venham novos planos, novos encontros, novos sonhos, novos desejos. Que venham novos lugares, novas pessoas. Que venha o novo e seja renovado o que sempre esteve – e sempre estará. O que me cabe fica.
Ano novo, querido, estou na contagem regressiva para te receber.
Seja bem-vindo o novo dia de um novo tempo que começou!
Fiz muitos planos e realizei cada um deles. Sem exceção. Foi a primeira vez que desenhei as coisas que queria fazer, as minhas metas, e olhando para elas constatei: todas cumpridas! É bem certo que a minha força pessoal foi o alicerce responsável pelo empreendimento destas conquistas – mas fazer o Leader Training em maio, e na sequencia o Gaivota em novembro, potencializaram toda a minha força. Conhecer pessoas que vibram nessa mesma sintonia, e perceber que este meu “bando” em São Paulo me dá estrutura para perseguir o que quiser, fez toda a diferença. Hoje eu sou a melhor pessoa que podia me tornar: física, emocional, espiritual e intelectualmente.
Retrospectiva 2011? Eliminei 50 quilos. Nunca pensei que pudesse, efetivamente, conquistar essa marca. Jamais imaginei que, além de emagrecer, pudesse manter uma estrutura física saudável e bacana, que leva as pessoas a duvidar que já fui, um dia, obesa. Fato é que fui, mas nunca mais serei. Hoje tenho o corpo que sempre quis ter, compro as roupas que sempre quis usar – e me sinto absolutamente linda nelas. Este ano, pela primeira vez na minha vida, usei tomara que caia. Fiz a mamoplastia, a etapa final do meu processo de mudança física, e consegui finalmente me libertar do último nó que me impedia de me olhar no espelho e me amar profundamente. Hoje eu me olho no espelho e constato: eu me amo profundamente.
Também este ano eu aprendi que a convivência comigo mesma pode ser algo extremamente prazeroso. E decidi que só quero caminhar do lado de alguém que me faça muito mais feliz do que já sou. E isso se torna difícil, sim, porque hoje me sinto profundamente feliz. Realizada em todos os aspectos. Encontrar um parceiro para partilhar a minha jornada é inevitável. Isso acontecerá, mais cedo ou mais tarde. Mas a pressa foi substituída pela constatação de que essa pessoa deve ser exatamente do jeito que espero que seja – e isso demanda, mais que tempo, paciência. A busca tornou-se deliciosa e leve. Como nunca antes foi.
Profissionalmente, adquiri toda a maturidade necessária para dar grandes saltos. E saltei muito este ano. Em todos os sentidos. Encerro o ano com a sensação de que cumpri uma missão extremamente difícil, que muitos duvidaram que fosse capaz de conseguir. Eu não só consegui. Eu superei as expectativas dos outros – e as minhas próprias. Encerro o ano colocando uma medalha em meu peito, orgulhosa. Eu consegui tudo que quis. E em 2012 conseguirei mais. Porque tenho uma equipe deliciosa de conviver, trabalho com gente que me respeita e que me admira – e pelas quais tenho um imenso carinho. Aprendi a ser uma líder exatamente do jeito que eu quero que sejam os meus líderes: capazes de ensinar pelo exemplo, pelo coração. Íntegros, éticos, capazes e humanos. Sei que dá para ganhar mais que salário onde se trabalha: dá para fazer da convivência com as pessoas uma escola preciosa. Eu aprendi esse ano muito mais que em todos os outros em termos de gestão de pessoas. E sei que há muito mais que aprender.
Mudei para São Paulo, moro há seis quadras do meu trabalho, e isso também fez toda a diferença na minha qualidade de vida. Consigo oferecer à minha mãe e a mim uma vida decente: sem grandes luxos, mas com todo o conforto que merecemos. Pela primeira vez na vida não sofri com o bolso – as coisas surgiram como mágica e eu consegui resolver, de uma vez, todas as pendências financeiras do passado, que me afligiam. Pela primeira vez, consegui juntar dinheiro. Pela primeira vez, fiz tudo que queria fazer. Comprei tudo que quis e precisava comprar. Dei todos os presentes que quis.
Vivi intensamente todo o fruto do trabalho que empreendi. Colhi os frutos e fiz bom uso deles. Comprei meu carro novo da cor e do jeito que sempre sonhei. Presenteei minha irmã com o Leader Training e ela finalmente virá morar conosco em São Paulo. A peça que faltava em nosso quebra-cabeça familiar. Desejo que ela partilhe do momento bom que temos vivido, e que construa aqui também sua própria história – e que isso a faça muito feliz. Ter minha irmã perto, depois de tudo que já vivemos (e superamos) deve fazer toda a diferença no novo ano que se aproxima.
Fiz grandes amigos, cuidei daqueles que me eram caros, recebi muita gente especial em meus novos bandos – e me distanciei de outras tantas. As que importam continuam perto, ainda que não fisicamente, porque uma ligação extra geográfica nos mantém unidos. As que não cabem mais na minha vida nova foram. Muitas pessoas chegaram – e muitas partiram com a mesma rapidez com que chegaram. E eu agradeci a Deus, silenciosamente, por cada uma dessas partidas – por mais difíceis que fossem. Sei que, no fundo, todas elas têm uma incrível razão de ser. E deixaram espaço para que o novo, o que importa, entrasse e permanecesse.
Fiz uma grande festa no meu aniversário de 30 anos. A mais especial da minha vida. A única, deste porte, que me permiti viver. Foi linda. Absolutamente linda. Registrei e guardarei para sempre em meu coração e em minha história. Um dia, se tiver filhos, vou mostrar a eles estas imagens. Eu quero ensina-los que eles podem (e devem) ser crianças sempre que quiserem. E que isso é uma delícia.
Adquiri uma autoconfiança incrível. Perdoei, em meu coração, todos que um dia me fizeram mal. Consegui me libertar de mágoas antigas, fiquei mais leve espiritualmente. Aproximei-me ainda mais de Deus, de um jeito menos conservador – e mais sincero. Confio plenamente nessa força. Tirei, pela primeira vez na vida, 30 dias de férias. Desliguei meu celular do trabalho e não li nenhum e-mail enquanto vivi esses dias. Também pela primeira vez. E foi ótimo. Comecei a estruturar um novo projeto literário, resgatando o meu grande e maior sonho – olhei para todos os sonhos antigos e percebi o quanto eles ainda estão vivos dentro de mim. Eu nasci para fazer uma grande diferença e ignorar essa missão não é mais uma opção.
Definitivamente descobri que preciso usar melhor meus dons e talentos. Que minha sensibilidade pode sim fazer a diferença nos ambientes em que circulo – e que, devidamente trabalhada, não precisa mais me fazer sofrer. No máximo vou sentir uma dorzinha aguda quando algo fugir do planejado. Mas este ano também descobri que a minha capacidade de recuperação melhorou absurdamente. Não passo mais de uma hora por dia triste. Nem mais de um dia por semana.
Descobri que as coisas podem ser mais leves e divertidas. Que a vida pode ter uma carga menor. Que é necessária uma boa dose de humor para se encarar as adversidades.
Descobri que meu sorriso é lindo, que posso sorrir muito mais do que antes. Que tenho muitos motivos para isso. E que, quando chorar, lavo a alma e recupero o riso. O mais rapidamente que puder.
2011, em síntese, foi um ano grandioso. O que me faz ter a certeza de que 2012 tem tudo para o superar.
Que venham novos planos, novos encontros, novos sonhos, novos desejos. Que venham novos lugares, novas pessoas. Que venha o novo e seja renovado o que sempre esteve – e sempre estará. O que me cabe fica.
Ano novo, querido, estou na contagem regressiva para te receber.
Seja bem-vindo o novo dia de um novo tempo que começou!
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Ser Fernão - Capelo Gaivota
Ao redor os movimentos são praticamente os mesmos. As ações das pessoas se tornam quase previsíveis. Dá para intuir quanto de energia elas vão gastar com cada notícia, com cada problema. Ao redor as ventanias continuam surgindo. As ameaças de tempestade, idem. Tudo parece exatamente igual. Tudo parece naturalmente igual. A única coisa que talvez a natureza não tivesse previsto, não desta forma, foi o que mudou aqui. Bem dentro - em mim. Porque eu sou essa metamorfose.
Enquanto as coisas orbitam, muitas numa habitual velocidade frenética, eu sigo observando num centro tão novo. Mais alto. Não me sinto melhor ou maior que todas essas coisas; mas definitivamente diferente. Rio do excesso de preocupação. Sorrio com as reações. Antecipo as soluções e isso foge do convencional. Só que o tempo me ensina a ser cada vez menos convencional. Eu definitivamente tenho um potencial ilimitado e não quero passar o resto da minha vida mantendo tudo sob controle. Eu quero aprender a lidar com o que há além do controle. Ultrapassar meus limites, todos eles.
Sim, é certo que o descanso das férias me fez bem. A energia recuperada ajuda. Só que eu fui adiante. Lancei-me num vôo cego, saltei de um abismo gigante, acompanhada de um bando lindo, e virei Gaivota. Parece bobo, piegas, os cabeções ao meu redor (são muitos) não levam a sério esse nível de transformação que a gente vive quando se submete e um treinamento de autogestão do porte do que vivi. Eu sorrio. Que é o que tenho feito quando me deparo com a incompreensão dos outros.
Não vou exigir que as pessoas sintonizem com a vibração que sinto, e acionem o meu cérebro (o meu corpo, a minha alma, o meu coração) para entender o que houve. Eu as convido para viverem o que vivi. Muitas não estão prontas, é verdade. Muitas nunca estarão. A maior parte acha que não precisa. Boa parte dos maiores medos das pessoas que estão ao meu lado têm como origem o mesmo medo: o de si. Somos nossos principais algozes. Somos nossos principais inimigos. Aprender isso nos dá uma ferramenta poderosa. Ignorar isso nos faz absolutamente incompetentes do ponto de vista emocional. E essa incompetência, infelizmente, é generalizada num mundo cada vez mais dominado pela razão.
Eu decidi, há muitos anos, que queria sair da reta, dar saltos em espiral, aprender novos mundos. Eu decidi fazer um mergulho: em mim, terreno mais desconhecido não há. Esses mergulhos acionam em mim descobertas maravilhosas, que elevam a qualidade da minha relação com o outro – e com o mundo. Mergulhar em mim faz com que mudanças importantes se empreendam. E por isso talvez boa parte das pessoas não me reconheça, atualmente – física ou emocionalmente. Eu mudei toda a estrutura do meu corpo e a da minha alma. Investi muita energia nisso. O olhar dessa mulher no espelho, porém, é idêntico ao da criança que vi na imagem da Rafaela de um aninho. Há nela (e em mim) um apetite desmedido por viver.
É impossível registrar tudo que me aconteceu nos últimos dias aqui. Num texto, num número limitado de linhas. Eu só sei que tenho um novo par de asas imenso – e um bando por perto para sustentar todos os vôos que eu quiser dar. Eu sei que tenho uns sonhos lindos para realizar, e muita história para escrever. Eu sei que tenho arestas a aparar, e melhorias por empreender. Cada dia vou matar um dragão em seu ninho para que ele não cresça. Repetindo as coisas que precisam ser lembradas, e pedindo ajuda quando esquecer as que importam – e me embriagar do que é banal. O cotidiano nos deixa ligeiramente bêbados e tenta nos desviar das rotas dos grandes vôos. Eu também estou a fim de lutar contra essa rotina, contra essa coisa morna por que nos deixamos levar. A nossa famosa zona de conforto, que nos paralisa e aprisiona.
Quero mais, sabe? Decididamente quero mais. Da vida, de mim mesma, de tudo que vivo. Das relações que me envolvem. Dos universos que me cercam. Quero a velocidade inalcançável, quero o céu impossível. Quero o pó mágico que faz meus braços ganharem pena. As penas que me tornam o corpo de Fernão Capelo – o Gaivota. Eu sou tão ele quanto ele sou eu. Todos nós somos. A diferença é o tempo em que cada um faz essa descoberta.
Tenho uma sorte gigante de saber isso agora. Quando ainda há tanto tempo para os meus vôos. E se esse tempo for por alguma razão legítima interrompido precocemente, eu terei vivido com a certeza de que ousei tocar meu limite. E os anos que vivi terão valido a pena. Chegar a esse lugar, tocar essa linha, lançar meu corpo para trás num gesto de absoluta confiança, foi um dos melhores investimentos que fiz nessa vida. Eu persigo minha felicidade, agora, com um folego absolutamente novo. Ela é a maior missão da minha vida.
Tudo que me desviar desse sentido, de algum modo, passa. O que fica, que é o que sinto, é a confiança de que estarei sempre voando para o lugar certo: para mim. E essa é a única rota possível para de encontrar todo o resto.
Acumulo sobrenomes com o orgulho com que exibo cada marca em mim: o orgulho de quem conseguiu. E minha aventura por esse novo céu está só começando...
Eu, Rafaela Manzo Barreto Queiroz Silva Gaivota, renasci. Mais uma vez. Como sempre será.
Enquanto as coisas orbitam, muitas numa habitual velocidade frenética, eu sigo observando num centro tão novo. Mais alto. Não me sinto melhor ou maior que todas essas coisas; mas definitivamente diferente. Rio do excesso de preocupação. Sorrio com as reações. Antecipo as soluções e isso foge do convencional. Só que o tempo me ensina a ser cada vez menos convencional. Eu definitivamente tenho um potencial ilimitado e não quero passar o resto da minha vida mantendo tudo sob controle. Eu quero aprender a lidar com o que há além do controle. Ultrapassar meus limites, todos eles.
Sim, é certo que o descanso das férias me fez bem. A energia recuperada ajuda. Só que eu fui adiante. Lancei-me num vôo cego, saltei de um abismo gigante, acompanhada de um bando lindo, e virei Gaivota. Parece bobo, piegas, os cabeções ao meu redor (são muitos) não levam a sério esse nível de transformação que a gente vive quando se submete e um treinamento de autogestão do porte do que vivi. Eu sorrio. Que é o que tenho feito quando me deparo com a incompreensão dos outros.
Não vou exigir que as pessoas sintonizem com a vibração que sinto, e acionem o meu cérebro (o meu corpo, a minha alma, o meu coração) para entender o que houve. Eu as convido para viverem o que vivi. Muitas não estão prontas, é verdade. Muitas nunca estarão. A maior parte acha que não precisa. Boa parte dos maiores medos das pessoas que estão ao meu lado têm como origem o mesmo medo: o de si. Somos nossos principais algozes. Somos nossos principais inimigos. Aprender isso nos dá uma ferramenta poderosa. Ignorar isso nos faz absolutamente incompetentes do ponto de vista emocional. E essa incompetência, infelizmente, é generalizada num mundo cada vez mais dominado pela razão.
Eu decidi, há muitos anos, que queria sair da reta, dar saltos em espiral, aprender novos mundos. Eu decidi fazer um mergulho: em mim, terreno mais desconhecido não há. Esses mergulhos acionam em mim descobertas maravilhosas, que elevam a qualidade da minha relação com o outro – e com o mundo. Mergulhar em mim faz com que mudanças importantes se empreendam. E por isso talvez boa parte das pessoas não me reconheça, atualmente – física ou emocionalmente. Eu mudei toda a estrutura do meu corpo e a da minha alma. Investi muita energia nisso. O olhar dessa mulher no espelho, porém, é idêntico ao da criança que vi na imagem da Rafaela de um aninho. Há nela (e em mim) um apetite desmedido por viver.
É impossível registrar tudo que me aconteceu nos últimos dias aqui. Num texto, num número limitado de linhas. Eu só sei que tenho um novo par de asas imenso – e um bando por perto para sustentar todos os vôos que eu quiser dar. Eu sei que tenho uns sonhos lindos para realizar, e muita história para escrever. Eu sei que tenho arestas a aparar, e melhorias por empreender. Cada dia vou matar um dragão em seu ninho para que ele não cresça. Repetindo as coisas que precisam ser lembradas, e pedindo ajuda quando esquecer as que importam – e me embriagar do que é banal. O cotidiano nos deixa ligeiramente bêbados e tenta nos desviar das rotas dos grandes vôos. Eu também estou a fim de lutar contra essa rotina, contra essa coisa morna por que nos deixamos levar. A nossa famosa zona de conforto, que nos paralisa e aprisiona.
Quero mais, sabe? Decididamente quero mais. Da vida, de mim mesma, de tudo que vivo. Das relações que me envolvem. Dos universos que me cercam. Quero a velocidade inalcançável, quero o céu impossível. Quero o pó mágico que faz meus braços ganharem pena. As penas que me tornam o corpo de Fernão Capelo – o Gaivota. Eu sou tão ele quanto ele sou eu. Todos nós somos. A diferença é o tempo em que cada um faz essa descoberta.
Tenho uma sorte gigante de saber isso agora. Quando ainda há tanto tempo para os meus vôos. E se esse tempo for por alguma razão legítima interrompido precocemente, eu terei vivido com a certeza de que ousei tocar meu limite. E os anos que vivi terão valido a pena. Chegar a esse lugar, tocar essa linha, lançar meu corpo para trás num gesto de absoluta confiança, foi um dos melhores investimentos que fiz nessa vida. Eu persigo minha felicidade, agora, com um folego absolutamente novo. Ela é a maior missão da minha vida.
Tudo que me desviar desse sentido, de algum modo, passa. O que fica, que é o que sinto, é a confiança de que estarei sempre voando para o lugar certo: para mim. E essa é a única rota possível para de encontrar todo o resto.
Acumulo sobrenomes com o orgulho com que exibo cada marca em mim: o orgulho de quem conseguiu. E minha aventura por esse novo céu está só começando...
Eu, Rafaela Manzo Barreto Queiroz Silva Gaivota, renasci. Mais uma vez. Como sempre será.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Ser radical
Ontem eu cortei os meus cabelos. Muito curtos. Mais curtos que nunca. No pescoço, para ser exata. Já me falaram que está um corte parecido com o da Sandy. Eu ainda não me acostumei, mas gostei do que vi quando saí do salão. Dizem que a mulher, quando corta assim os cabelos (ou os muda radicalmente), geralmente quer dizer algo. Acho que sei o que quero dizer. E digo, sem precisar de nenhum corte: estou repensando o jeito com que digo as coisas e, principalmente, quais seus foros mais adequados. Todo mundo sabe que sempre falei tudo que penso, demais, em quase todas as ocasiões. Isso me torna diferente, espontânea e naturalmente exposta demais. O revés da tal moeda – o ônus do meu jeito escancarado – é o quanto sofro desnecessariamente. Minha vida quase sempre é alvo de noticiário, anda em lugar que não devia. Muita gente de índole questionável se apropria das informações que divulgo inocentemente e uma cadeia (nem sempre boa) de fatos se inicia. Porque tudo na vida é movido à energia e essa energia nem sempre é boa.
Daí que, repensando a forma como me comunico, alvo de questionamentos pessoais e profissionais constantes, resolvi buscar mais uma vez a moderação. Acredito que só visite meu blog quem tem paciência e bem querer. Graças a Deus, pelo que noto dos comentários dos que vêem aqui, há gente bem boa torcendo pela minha felicidade. Mas não é assim em todos os espaços. Virtuais, reais, sociais. Vou moderar, portanto, as coisas que digo. Sem ser tão radical, quanto fui com meus cabelos, pelo menos aqui no blog. Quero que este continue sendo meu canto, que continue dizendo de mim coisas que nem sempre falo em outros lugares. Ainda assim, por essas mesmas razões, vou evitar dizer tudo.
Na verdade eu preciso voltar a escrever e-mails, trocar cartas e marcar mais cafés. É isso que fica dessa reflexão que faço. Este final de semana pensei demais sobre essas relações que vivo, diariamente. Há pessoas tão perto, e ao mesmo tempo tão distantes. Das que deveriam estar perto eu cuido menos do que deveria – e por outro lado invisto tempo demais em coisas (e pessoas) que não merecem um milésimo de segundo do tempo da minha vida.
Eu ainda não sei como equacionar os meus limites de tempo. Mas eu já sei que, como tem sido, não dá para continuar.
A certeza que tenho agora é que quero mais gente boa mais vezes perto – e mais gente longe do que perto. RS
Que posso ser sim uma pessoa agradabilíssima e bacana sem precisar, necessariamente, ter de ser boazinha e agradável com todo mundo. Isso não me torna melhor.
Que minha autenticidade pode sim ser comedida e que o silêncio funciona melhor do que longos discursos. Especialmente se a energia é gasta a toa. Muita gente (e muita coisa) não vale a pena.
Eu preciso agora me concentrar nas coisas (e pessoas) que valem. E, gente, como é difícil definir isso...
Só que já cansei dessa superexposição desnecessária, mesmo, que dá ao outro munição para me atingir. Não preciso mais disso. Não quero ser alvo.
Chega um tempo em que se busca desafios, sim, mas a prioridade maior é viver em paz. E viver em paz demanda uma sabedoria que, muitas vezes, não está na balbúrdia de uma multidão – mas no cantinho do silêncio.
Silenciar pode ser um verbo mais adequado, ainda que minha alma sinta vontade de anunciar coisas todo o tempo. Aprender é o desafio constante de todos nós. É nessa trilha que sigo, portanto. Um dia, como tudo (e como todos), aprendo.
Exercito diariamente a coragem que faz meus cabelos mudarem radicalmente. Porque, com a minha vida, eu também não tenho medo nenhum de empreender mudanças radicais quando preciso. Cortar cabelos, barulho, ruídos, conflitos ou gente – tudo isso parte do mesmo pressuposto: coragem de arriscar. E isso eu tenho de sobra.
Daí que, repensando a forma como me comunico, alvo de questionamentos pessoais e profissionais constantes, resolvi buscar mais uma vez a moderação. Acredito que só visite meu blog quem tem paciência e bem querer. Graças a Deus, pelo que noto dos comentários dos que vêem aqui, há gente bem boa torcendo pela minha felicidade. Mas não é assim em todos os espaços. Virtuais, reais, sociais. Vou moderar, portanto, as coisas que digo. Sem ser tão radical, quanto fui com meus cabelos, pelo menos aqui no blog. Quero que este continue sendo meu canto, que continue dizendo de mim coisas que nem sempre falo em outros lugares. Ainda assim, por essas mesmas razões, vou evitar dizer tudo.
Na verdade eu preciso voltar a escrever e-mails, trocar cartas e marcar mais cafés. É isso que fica dessa reflexão que faço. Este final de semana pensei demais sobre essas relações que vivo, diariamente. Há pessoas tão perto, e ao mesmo tempo tão distantes. Das que deveriam estar perto eu cuido menos do que deveria – e por outro lado invisto tempo demais em coisas (e pessoas) que não merecem um milésimo de segundo do tempo da minha vida.
Eu ainda não sei como equacionar os meus limites de tempo. Mas eu já sei que, como tem sido, não dá para continuar.
A certeza que tenho agora é que quero mais gente boa mais vezes perto – e mais gente longe do que perto. RS
Que posso ser sim uma pessoa agradabilíssima e bacana sem precisar, necessariamente, ter de ser boazinha e agradável com todo mundo. Isso não me torna melhor.
Que minha autenticidade pode sim ser comedida e que o silêncio funciona melhor do que longos discursos. Especialmente se a energia é gasta a toa. Muita gente (e muita coisa) não vale a pena.
Eu preciso agora me concentrar nas coisas (e pessoas) que valem. E, gente, como é difícil definir isso...
Só que já cansei dessa superexposição desnecessária, mesmo, que dá ao outro munição para me atingir. Não preciso mais disso. Não quero ser alvo.
Chega um tempo em que se busca desafios, sim, mas a prioridade maior é viver em paz. E viver em paz demanda uma sabedoria que, muitas vezes, não está na balbúrdia de uma multidão – mas no cantinho do silêncio.
Silenciar pode ser um verbo mais adequado, ainda que minha alma sinta vontade de anunciar coisas todo o tempo. Aprender é o desafio constante de todos nós. É nessa trilha que sigo, portanto. Um dia, como tudo (e como todos), aprendo.
Exercito diariamente a coragem que faz meus cabelos mudarem radicalmente. Porque, com a minha vida, eu também não tenho medo nenhum de empreender mudanças radicais quando preciso. Cortar cabelos, barulho, ruídos, conflitos ou gente – tudo isso parte do mesmo pressuposto: coragem de arriscar. E isso eu tenho de sobra.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Tocando em frente
Sei que parece clichê, mas essa é uma canção que sempre foi lema em minha vida. Tocando em Frente, do Almir Sater, expressa exatamente como funciona minha alma, como escolhi viver essa vida. Tocando, sempre, em frente. É fato que a semana que passou foi turbulenta, mas é fato também que ela me ensinou muito mais de mim do que eu previa. Aprendi, por exemplo, que minha capacidade de lidar com a dor (de todo o tipo) é ainda maior do que eu supunha. Que, apesar de as questões envolvendo nossa saúde nos tirarem do eixo – podemos sempre escolher como vivemos cada batalha.
Há tempos eu decidi que minha escolha de vida não era mais ficar me lamentando, me vitimizando, transformando coisas pequenas em grandes – especialmente se elas são ruins. Depende muito de nós a dimensão que nossos problemas têm. E TODO MUNDO tem problema. O que nos diferencia um dos outros é sempre a capacidade como lidamos com eles.
Dito isso, atualizo os amigos sobre o estado da minha saúde: ainda não tenho 100% de certeza sobre o meu diagnóstico. Sinto dores, mas elas estão num nível suportável e descobri que um ajuste de alimentação pode aliviar, sim, os sintomas. Decidi que, se for mesmo a tal Hernia de Petersen (vejam depois no Google, em suma se trata de uma complicação decorrente da gastroplastia de médio e longo prazo, em que o intestino invade um espaço antes ocupado por gordura, construindo uma “alça”), vou fazer a laparoscopia e este será apenas mais um capítulo para eu contar na história da minha vida. E vou lidar com ele com a mesma valentia com que sempre encarei as batalhas que vieram. Que me tornaram a guerreira que sou agora.
Amanhã o Dr. Marcelo deve sinalizar o melhor caminho a tomar. Claro que não esperava encarar uma nova cirurgia agora, menos um mês depois de reconstruir as mamas. Mas (quer saber?) se for preciso, encaro sim. Estou forte hoje, bem mais que uns anos atrás. Entendo que tudo fica bem no final – e se ainda não está bem é porque não chegou o fim.
Sabe o que aprendi, mais que tudo, nestes dias de dor? Que as duas melhores virtudes que a gente pode cativar nesta vida são a paciência e o amor. O Amor envolve um tanto de fé – em si e em algo superior, que está no comando de tudo. E a paciência é crucial para a gente aprender a lidar com os “tempos” que não entendemos, mas que são tão necessários para que os processos aconteçam (e tenham começo, meio e fim).
No meio desse turbilhão, minha irmã fez o Leader Training. E voltou de Ibiúna ontem com a garganta rouca e a cara lavada, típica de quem vive a experiência de libertação pós LT. E eu, envolvida com toda a vivência dela (virtualmente, claro), do começo ao fim, lembrei do que passei lá dentro, e de tudo que passei para chegar até aqui (e do quanto eu caminhei) e ergui a cabeça de novo. Desfiz o semblante enfezado e encarei a dor com a bravura de uma guerreira, mas com o sorriso dos que têm FÉ.
FÉ é a confiança cega na vida. De que tudo acontece porque é preciso que seja assim.
Eu não vivi os dias de euforia e noitada com minha irmã, como prevíamos, porque algo queria que estivéssemos mais perto, num outro nível, preparando-a talvez para a sua própria experiência neste final de semana. Algo nos aproximou de um jeito que, nas “baladas”, não conseguiríamos experimentar. Nossa odisséia entre hospitais e laboratórios, no fundo, lembrou-nos quão importante essa estrutura “família”, é. No nosso caso, uma família formada em seu núcleo por nós três: eu, minha mãe e minha irmã.
É bem fácil reunir amigos para beber, sorrir e farrear – mas a gente só reconhece mesmo com quem pode contar, na vida, nas horas de dor. Os dias que passaram me mostraram isso de forma clara. Quem são as pessoas com quem posso contar – na vida, para sempre.
Sei que virá ainda muita coisa adiante. A decisão de operar ou não, reconhecer o diagnóstico e tratá-lo, lidar com as mudanças. Mas já não tenho o medo que antes me paralisaria e me faria lidar com isso de forma insegura. Tenho a incrível confiança no fluxo da vida e sei que estou pronta para o que virá – o que quer que venha.
Tenho perto uma mãe e uma irmã incríveis, que são mais do que minha família – são as minhas melhores amigas e minhas parceiras da vida. Tenho uma família Silva que se revela a cada dia um dos mais belos presentes que poderia ter ganhado. Tenho amigos lindos e uma equipe de trabalho comprometida em tantos níveis (além de profissionais altamente competentes, são pessoas formidáveis para se ter junto numa jornada diária que sempre extrapola as horas convencionais) que só posso agradecer.
Tenho uma puta sorte e estou em boas mãos. Meu anjo da guarda é forte e bom. Incansável e faz hora extra sempre. RS
Tenho um passado grandioso, uma história de luta e superação da qual me orgulho, e um presente lindo que trato com todo o cuidado do mundo. Sempre que chego em casa três coisinhas pulam em meu colo abanando os rabinhos e lembrando que o amor incondicional existe e começa entre os bichos – e que somos todo adoráveis criaturas de Deus, pacote de um Universo tão maior povoado por tantos seres. Esses bicinhos, quando choro, me lambem, e não sossegam até me ver sorrir de novo. Como se soubessem o que se passa em minha alma.
Tenho vida e tenho sorte. Tenho amigos e tenho fé. Tenho amor e tenho gana. E aprendi a falar sobre tudo isso com toda a naturalidade, com toda a leveza com que fazem os que crêem absolutamente.
Só quem pode abalar essa estrutura sólida que construí em mim sou eu mesma. Deus, em seus desígnios que nem sempre entendemos, só trabalha para que essa estrutura seja fortalecida – e muitas vezes testada. Porque reparos são sempre feitos para que tempestades maiores não derrubem estruturas frágeis.
Não tenho medo de derrubar o que for preciso (de frágil ou de incerto) em mim, para construir novas bases. Não tenho medo de me futucar, de colocar as mãos em minha própria massa, de arriscar. Não tenho medo de me encarar no espelho e lidar com minha sombra e minha luz.
Isso me torna, sim, uma valente guerreira.
Creio, sinceramente, que cada um de nós compõe a sua história – e carrega em si o dom de ser capaz, e ser feliz.
Sobretudo, sei que é preciso chuva para florir.
Estou sempre, invariavelmente, tocando em frente.
Há tempos eu decidi que minha escolha de vida não era mais ficar me lamentando, me vitimizando, transformando coisas pequenas em grandes – especialmente se elas são ruins. Depende muito de nós a dimensão que nossos problemas têm. E TODO MUNDO tem problema. O que nos diferencia um dos outros é sempre a capacidade como lidamos com eles.
Dito isso, atualizo os amigos sobre o estado da minha saúde: ainda não tenho 100% de certeza sobre o meu diagnóstico. Sinto dores, mas elas estão num nível suportável e descobri que um ajuste de alimentação pode aliviar, sim, os sintomas. Decidi que, se for mesmo a tal Hernia de Petersen (vejam depois no Google, em suma se trata de uma complicação decorrente da gastroplastia de médio e longo prazo, em que o intestino invade um espaço antes ocupado por gordura, construindo uma “alça”), vou fazer a laparoscopia e este será apenas mais um capítulo para eu contar na história da minha vida. E vou lidar com ele com a mesma valentia com que sempre encarei as batalhas que vieram. Que me tornaram a guerreira que sou agora.
Amanhã o Dr. Marcelo deve sinalizar o melhor caminho a tomar. Claro que não esperava encarar uma nova cirurgia agora, menos um mês depois de reconstruir as mamas. Mas (quer saber?) se for preciso, encaro sim. Estou forte hoje, bem mais que uns anos atrás. Entendo que tudo fica bem no final – e se ainda não está bem é porque não chegou o fim.
Sabe o que aprendi, mais que tudo, nestes dias de dor? Que as duas melhores virtudes que a gente pode cativar nesta vida são a paciência e o amor. O Amor envolve um tanto de fé – em si e em algo superior, que está no comando de tudo. E a paciência é crucial para a gente aprender a lidar com os “tempos” que não entendemos, mas que são tão necessários para que os processos aconteçam (e tenham começo, meio e fim).
No meio desse turbilhão, minha irmã fez o Leader Training. E voltou de Ibiúna ontem com a garganta rouca e a cara lavada, típica de quem vive a experiência de libertação pós LT. E eu, envolvida com toda a vivência dela (virtualmente, claro), do começo ao fim, lembrei do que passei lá dentro, e de tudo que passei para chegar até aqui (e do quanto eu caminhei) e ergui a cabeça de novo. Desfiz o semblante enfezado e encarei a dor com a bravura de uma guerreira, mas com o sorriso dos que têm FÉ.
FÉ é a confiança cega na vida. De que tudo acontece porque é preciso que seja assim.
Eu não vivi os dias de euforia e noitada com minha irmã, como prevíamos, porque algo queria que estivéssemos mais perto, num outro nível, preparando-a talvez para a sua própria experiência neste final de semana. Algo nos aproximou de um jeito que, nas “baladas”, não conseguiríamos experimentar. Nossa odisséia entre hospitais e laboratórios, no fundo, lembrou-nos quão importante essa estrutura “família”, é. No nosso caso, uma família formada em seu núcleo por nós três: eu, minha mãe e minha irmã.
É bem fácil reunir amigos para beber, sorrir e farrear – mas a gente só reconhece mesmo com quem pode contar, na vida, nas horas de dor. Os dias que passaram me mostraram isso de forma clara. Quem são as pessoas com quem posso contar – na vida, para sempre.
Sei que virá ainda muita coisa adiante. A decisão de operar ou não, reconhecer o diagnóstico e tratá-lo, lidar com as mudanças. Mas já não tenho o medo que antes me paralisaria e me faria lidar com isso de forma insegura. Tenho a incrível confiança no fluxo da vida e sei que estou pronta para o que virá – o que quer que venha.
Tenho perto uma mãe e uma irmã incríveis, que são mais do que minha família – são as minhas melhores amigas e minhas parceiras da vida. Tenho uma família Silva que se revela a cada dia um dos mais belos presentes que poderia ter ganhado. Tenho amigos lindos e uma equipe de trabalho comprometida em tantos níveis (além de profissionais altamente competentes, são pessoas formidáveis para se ter junto numa jornada diária que sempre extrapola as horas convencionais) que só posso agradecer.
Tenho uma puta sorte e estou em boas mãos. Meu anjo da guarda é forte e bom. Incansável e faz hora extra sempre. RS
Tenho um passado grandioso, uma história de luta e superação da qual me orgulho, e um presente lindo que trato com todo o cuidado do mundo. Sempre que chego em casa três coisinhas pulam em meu colo abanando os rabinhos e lembrando que o amor incondicional existe e começa entre os bichos – e que somos todo adoráveis criaturas de Deus, pacote de um Universo tão maior povoado por tantos seres. Esses bicinhos, quando choro, me lambem, e não sossegam até me ver sorrir de novo. Como se soubessem o que se passa em minha alma.
Tenho vida e tenho sorte. Tenho amigos e tenho fé. Tenho amor e tenho gana. E aprendi a falar sobre tudo isso com toda a naturalidade, com toda a leveza com que fazem os que crêem absolutamente.
Só quem pode abalar essa estrutura sólida que construí em mim sou eu mesma. Deus, em seus desígnios que nem sempre entendemos, só trabalha para que essa estrutura seja fortalecida – e muitas vezes testada. Porque reparos são sempre feitos para que tempestades maiores não derrubem estruturas frágeis.
Não tenho medo de derrubar o que for preciso (de frágil ou de incerto) em mim, para construir novas bases. Não tenho medo de me futucar, de colocar as mãos em minha própria massa, de arriscar. Não tenho medo de me encarar no espelho e lidar com minha sombra e minha luz.
Isso me torna, sim, uma valente guerreira.
Creio, sinceramente, que cada um de nós compõe a sua história – e carrega em si o dom de ser capaz, e ser feliz.
Sobretudo, sei que é preciso chuva para florir.
Estou sempre, invariavelmente, tocando em frente.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Um episódio de Dr. House em minha vida
Há uma semana vivo um episódio da série Dr. House em minha vida. Passando por emergências e laboratórios, fazendo mil exames, com pelo menos uma dúzia de diagnósticos suspeitos. Os mais variados possíveis. Tudo para tentar descobrir a causa de uma dor aguda que começou no sábado, leve, e na segunda-feira me fez virar contorcionista na emergência do Santa Catarina. Nenhum analgésico deu jeito. Absolutamente nada. De tramal a buscopan composto. Tudo virou água no meu organismo.
A primeira desconfiança dos plantonistas do Santa Catarina foi de cálculo renal. Pelo tamanho da dor, localização e manifestação dos sintomas. Uma dor imensa que começa pouco abaixo do umbigo e se alastra pelas costas, que é onde dói mais. Na segunda-feira, saí correndo de uma reunião em um cliente direto para a emergência. E dá-lhe exame, analgésico, antiinflamatório e MUITA paciência. Vem nova suspeita: endometriose com um cisto no ovário.
Depois de uma noite tenebrosa com mais dor e nenhum efeito analgésico, vêm a terça e a quarta com um quadro de dor que vinha de hora em hora mais forte. Consulta ginecologista, investiga o cisto, marca exame. Na quinta, mais consulta e mais exame. A essa altura, se me mandassem arrancar ovários, útero, rins ou a cabeça para que a dor passasse, eu diria sim sem pestanejar. Ainda assim, vamos trabalhar. Afinal de contas, com a mama operada há menos de 20 dias e após uma licença médica de uma semana, não posso ficar “fora” muito tempo. São as regras implícitas do mercado profissional altamente competitivo em que me meti.
Viagem marcada para o final de semana, feliz porque minha irmã vai virar “Silva”, depois de rezar muito para que a dor amenize (qualquer que seja a causa), pousada e carro reservados, eis que na madrugada de hoje a dor surge implacável, mais viva que nunca, lembrando que ela não ia amenizar com o tempo. Precisa ser TRATADA. Toda dor no organismo quer nos comunicar algo. Mas os diachos dos médicos, em suas “bolhas” especialistas, conseguem inventar 300 suspeitas de diagnóstico em um par de horas. E nada para aplacar a causa. E nada de DESCOBRIR a causa. A suspeita final do médico que fez minha ultrasson ontem, pelo visto é a que mais se aproxima da realidade: colite. Algo no intestino, o que faz muito sentido, uma vez que a dor é parecida com a de uma cólica de infecção intestinal. Como diria minha amiga Didi, colite é o que os antigos chamam de “nó nas tripas”. E pelos sintomas, e pelo que conheço do meu corpo, tudo indica que seja isso.
Da madrugada emendo a manhã, espero uma hora razoável para não acordar as pessoas logo cedo e começam as ligações. Cancela pousada, reserva de carro, providencia carona para irmã ir para Ibiúna, preenche cheque, desfaz a mala. Chego ao trabalho mais cedo que toda a equipe, mais cedo que sempre foi. À dor soma-se um tanto de cansaço e alguma decepção. Em paralelo, episódios envolvendo gente, porque gente é sempre um troço surpreendente, me irritam. Ligo para a turma do Instituto Garrido, meu médico está na Alemanha e eu definitivamente não vou esperar até terça-feira para saber o que eu tenho. Não quero mais suspeita de diagnóstico. Não aguento mais tomar uma cacetada de remédios que não fazem nenhum efeito e detonam meu fígado.
Agora estou contando os minutos para encerrar a figuração, desfazer a cara de que está tudo bem e correr para o Santa Rita. De onde só saio com alguma CERTEZA. Este episódio na minha vida, como na série do implacável e maluco Dr. House, precisa de uma solução.
E para tudo o mais que gira ao redor, se não colabora para a melhora ou só piora ao invés de melhorar a dor que estou sentindo, peço um tempo.
Nas horas que o bicho pega, que a dor aperta, e que a sua paciência é testada, a gente se dá conta de que saúde não tem preço, mesmo. Tudo o mais se conquista, se corre a trás para recuperar.
Eu quero a minha boa fase de volta. Quero curtir meus seios novos, meu novo corpo, meus 30 – que são nos novos 20. Quero calmaria, que de tempestade essa semana já deu.
Que venha um final de semana melhor e sem dor. Eu preciso e mereço.
Amém.
A primeira desconfiança dos plantonistas do Santa Catarina foi de cálculo renal. Pelo tamanho da dor, localização e manifestação dos sintomas. Uma dor imensa que começa pouco abaixo do umbigo e se alastra pelas costas, que é onde dói mais. Na segunda-feira, saí correndo de uma reunião em um cliente direto para a emergência. E dá-lhe exame, analgésico, antiinflamatório e MUITA paciência. Vem nova suspeita: endometriose com um cisto no ovário.
Depois de uma noite tenebrosa com mais dor e nenhum efeito analgésico, vêm a terça e a quarta com um quadro de dor que vinha de hora em hora mais forte. Consulta ginecologista, investiga o cisto, marca exame. Na quinta, mais consulta e mais exame. A essa altura, se me mandassem arrancar ovários, útero, rins ou a cabeça para que a dor passasse, eu diria sim sem pestanejar. Ainda assim, vamos trabalhar. Afinal de contas, com a mama operada há menos de 20 dias e após uma licença médica de uma semana, não posso ficar “fora” muito tempo. São as regras implícitas do mercado profissional altamente competitivo em que me meti.
Viagem marcada para o final de semana, feliz porque minha irmã vai virar “Silva”, depois de rezar muito para que a dor amenize (qualquer que seja a causa), pousada e carro reservados, eis que na madrugada de hoje a dor surge implacável, mais viva que nunca, lembrando que ela não ia amenizar com o tempo. Precisa ser TRATADA. Toda dor no organismo quer nos comunicar algo. Mas os diachos dos médicos, em suas “bolhas” especialistas, conseguem inventar 300 suspeitas de diagnóstico em um par de horas. E nada para aplacar a causa. E nada de DESCOBRIR a causa. A suspeita final do médico que fez minha ultrasson ontem, pelo visto é a que mais se aproxima da realidade: colite. Algo no intestino, o que faz muito sentido, uma vez que a dor é parecida com a de uma cólica de infecção intestinal. Como diria minha amiga Didi, colite é o que os antigos chamam de “nó nas tripas”. E pelos sintomas, e pelo que conheço do meu corpo, tudo indica que seja isso.
Da madrugada emendo a manhã, espero uma hora razoável para não acordar as pessoas logo cedo e começam as ligações. Cancela pousada, reserva de carro, providencia carona para irmã ir para Ibiúna, preenche cheque, desfaz a mala. Chego ao trabalho mais cedo que toda a equipe, mais cedo que sempre foi. À dor soma-se um tanto de cansaço e alguma decepção. Em paralelo, episódios envolvendo gente, porque gente é sempre um troço surpreendente, me irritam. Ligo para a turma do Instituto Garrido, meu médico está na Alemanha e eu definitivamente não vou esperar até terça-feira para saber o que eu tenho. Não quero mais suspeita de diagnóstico. Não aguento mais tomar uma cacetada de remédios que não fazem nenhum efeito e detonam meu fígado.
Agora estou contando os minutos para encerrar a figuração, desfazer a cara de que está tudo bem e correr para o Santa Rita. De onde só saio com alguma CERTEZA. Este episódio na minha vida, como na série do implacável e maluco Dr. House, precisa de uma solução.
E para tudo o mais que gira ao redor, se não colabora para a melhora ou só piora ao invés de melhorar a dor que estou sentindo, peço um tempo.
Nas horas que o bicho pega, que a dor aperta, e que a sua paciência é testada, a gente se dá conta de que saúde não tem preço, mesmo. Tudo o mais se conquista, se corre a trás para recuperar.
Eu quero a minha boa fase de volta. Quero curtir meus seios novos, meu novo corpo, meus 30 – que são nos novos 20. Quero calmaria, que de tempestade essa semana já deu.
Que venha um final de semana melhor e sem dor. Eu preciso e mereço.
Amém.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
"Longe se vai sonhando demais"
Nada na minha vida acontece de forma isolada, e se você passeia por esse blog há algum tempo já sabe disso. Por isso, nos últimos dias, fiquei longe. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. Tanta coisa que mal caibo em mim de alegria. Sempre ouvi que é necessário silenciar quando se está bem, que a inveja tem sono leve, que as pessoas maldosas ficam sempre ávidas por uma brecha para rir das quedas. Ser feliz não tem graça nem dá ibope. Mas é assim que me sinto. Feliz, realizada. Com quase todas as minhas metas, estabelecidas quando fiz o leader training, cumpridas. (E viva a energia Silva!)
No dia 18 de agosto entrei novamente no centro cirúrgico. A maior parte dos meus amigos já sabe, mas quero falar dessa experiência. Entrar num hospital depois da gastroplastia (um ano e oito meses depois) foi incrível. Eu, renovada, pronta para viver a última fase do meu processo de transformação. Que, obviamente, não foi apenas física. Mudei tudo em mim. Olho as minhas fotos de antes e, juro, demoro a reconhecer que aquela era eu.
Um novo shape, com cinqüenta quilos a menos, agora com seios lindos que fazem jus à nova forma. Eu sempre tive complexo dos meus seios. Eles cresceram rápido demais e ficaram muito, muito grandes. À medida que fui engordando, aumentavam e ficavam mais flácidos. E mesmo quando emagrecia um pouco, a flacidez estava lá. E isso foi literalmente um “peso” que carreguei até a semana retrasada.
Ver as minhas mamas reconstruídas em frente ao espelho pela primeira vez foi uma experiência mágica. Elas combinam com meu novo corpo e com minha nova alma. Tão leves. Tão incrivelmente belas. Tão mais minhas que nunca. Eu não vejo a hora de tirar os pontos, amanhã de manhã, para vê-las inteiras.
Eu não vejo a hora, na verdade, de comprar meu primeiro tomara-que-caia. Não vejo a hora de comprar as camisetas de alcinha que sempre quis usar. Não vejo a hora de NÃO TER QUE usar mais sutiã, se não quiser! Estou toda boba. E parece mesmo uma grandessíssima bobagem para quem nunca viveu as coisas que vivi, os preconceitos e traumas, tanto com a obesidade quanto com o peso (e forma) das minhas mamas. Mas é algo libertador. Transformador. Divisor de águas na minha vida, sem dúvida.
Hoje eu posso afirmar, de boca cheia e sem medo de engasgar (RS), que me sinto plena. Inteirinha da Silva. Feliz com o que me tornei, corpo e alma. Feliz com a mulher que sou. Sei que a energia com que disse sim ao Dr. José Octavio, que é a mesma com que disse SIM lá atrás ao Dr. Marcelo Roque, é a mesma energia que o Universo disse SIM para mim. Desde que aceitei encarar a mudança, encarar o desafio, me lançar ao risco. Foi a experiência mais fantástica que já vivi. Meu grau de irrestibilidade (leiam “Como Deixar os Homens aos seus Pés” – vão por mim, meninas, é bom! RS) aumentou consideravelmente.
Falaria sobre isso tudo por páginas, capítulos e livros inteiros. Por ora quero apenas dividir essa minha alegria, a minha profunda GRATIDÃO aos amigos que me deram força, à minha mãe (parceira incondicional e melhor amiga desse mundo) e aos que estiveram ao meu redor, da equipe médica aos terapeutas e mestres. Tem tanta gente boa que passa (e algumas que ficam) na minha vida que não resta mais dúvida de que o que minha mãe diz é verdade: há muita luz em meu caminho. Se eu não abusar dela estarei cometendo um sacrilégio. Beber da fonte é mais que dever: é minha obrigação.
Quem quer? :)
No dia 18 de agosto entrei novamente no centro cirúrgico. A maior parte dos meus amigos já sabe, mas quero falar dessa experiência. Entrar num hospital depois da gastroplastia (um ano e oito meses depois) foi incrível. Eu, renovada, pronta para viver a última fase do meu processo de transformação. Que, obviamente, não foi apenas física. Mudei tudo em mim. Olho as minhas fotos de antes e, juro, demoro a reconhecer que aquela era eu.
Um novo shape, com cinqüenta quilos a menos, agora com seios lindos que fazem jus à nova forma. Eu sempre tive complexo dos meus seios. Eles cresceram rápido demais e ficaram muito, muito grandes. À medida que fui engordando, aumentavam e ficavam mais flácidos. E mesmo quando emagrecia um pouco, a flacidez estava lá. E isso foi literalmente um “peso” que carreguei até a semana retrasada.
Ver as minhas mamas reconstruídas em frente ao espelho pela primeira vez foi uma experiência mágica. Elas combinam com meu novo corpo e com minha nova alma. Tão leves. Tão incrivelmente belas. Tão mais minhas que nunca. Eu não vejo a hora de tirar os pontos, amanhã de manhã, para vê-las inteiras.
Eu não vejo a hora, na verdade, de comprar meu primeiro tomara-que-caia. Não vejo a hora de comprar as camisetas de alcinha que sempre quis usar. Não vejo a hora de NÃO TER QUE usar mais sutiã, se não quiser! Estou toda boba. E parece mesmo uma grandessíssima bobagem para quem nunca viveu as coisas que vivi, os preconceitos e traumas, tanto com a obesidade quanto com o peso (e forma) das minhas mamas. Mas é algo libertador. Transformador. Divisor de águas na minha vida, sem dúvida.
Hoje eu posso afirmar, de boca cheia e sem medo de engasgar (RS), que me sinto plena. Inteirinha da Silva. Feliz com o que me tornei, corpo e alma. Feliz com a mulher que sou. Sei que a energia com que disse sim ao Dr. José Octavio, que é a mesma com que disse SIM lá atrás ao Dr. Marcelo Roque, é a mesma energia que o Universo disse SIM para mim. Desde que aceitei encarar a mudança, encarar o desafio, me lançar ao risco. Foi a experiência mais fantástica que já vivi. Meu grau de irrestibilidade (leiam “Como Deixar os Homens aos seus Pés” – vão por mim, meninas, é bom! RS) aumentou consideravelmente.
Falaria sobre isso tudo por páginas, capítulos e livros inteiros. Por ora quero apenas dividir essa minha alegria, a minha profunda GRATIDÃO aos amigos que me deram força, à minha mãe (parceira incondicional e melhor amiga desse mundo) e aos que estiveram ao meu redor, da equipe médica aos terapeutas e mestres. Tem tanta gente boa que passa (e algumas que ficam) na minha vida que não resta mais dúvida de que o que minha mãe diz é verdade: há muita luz em meu caminho. Se eu não abusar dela estarei cometendo um sacrilégio. Beber da fonte é mais que dever: é minha obrigação.
Quem quer? :)
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Para Karla, uma guerreira.
No dia nove de dezembro do ano passado eu escrevi aqui no blog um texto sobre a luta da minha amiga Karla contra um câncer no cérebro. Falei da sua força, da sua fé, do quanto a sua história me inspirava. Karlinha partiu ontem, depois de muito cansaço e dor. E a notícia de sua partida mexeu comigo de um jeito diferente. Penso nos amigos que se foram, nas grandes pessoas que tive a oportunidade de conviver, com a minha idade. Pessoas especiais, como Tom e Silvana, com quem tive a sorte de dividir a vida por significativo tempo. Dói encarar, de novo, a morte tão perto. De alguém tão querido, que teve uma presença tão importante em minha história. Dói perceber o quanto é tênue e frágil essa linha entre a vida e a morte. Dói imaginar a dor de Cinha, mãe de Karla, que nos últimos anos passou a viver em função da filha. Desde ontem tenho ainda mais vontade de colocar as pessoas que amo debaixo das minhas asas, dizer o quanto elas me são caras, e mantê-las perto sentindo apenas a batida de seus corações. Desejei abraçar minha amiga pela última vez; pedi a Tom e Silvana que a recebessem com meu pai e minha avó, lá em cima. Onde quer que seja esse lugar.
Hoje, com o coração que amanheceu bem pequeno, o que me faz permanecer serena é a certeza de que ela descansou. Eu acompanhei algumas das batalhas de Karla e sei quanto ela sofreu. Entregar-se foi algo legítimo diante do seu cansaço. Pensar que algum propósito divino determinou que seu ciclo chegasse ao fim conforta um pouco minha alma.
Que aí em cima haja menos dor, minha amiga. Haja mais sorriso, mais festa, mais alegria. Você precisava tanto viver tudo isso de novo, não é? Quando chegar a minha hora, quero que me receba e me conte tudo dessa sua jornada. Que Deus proteja o coração de sua mãe, suas irmãs e seus amigos e familiares que ficam. E te faça seguir sem se preocupar com a dor deles, que vai passar um dia. E vira saudade. Eu também conheço esse rito.
Meu coração miúdo hoje quer lhe dizer que você foi uma grande guerreira. Que eu vou me lembrar de você sempre que alguma batalha grande se aproximar – sua força será sempre uma inspiração. E que foi um prazer imenso aprender tanto com a sua história, nessa vida.
Descansa, amiga. Você merece essa paz.
Vou sentir saudade.
Hoje, com o coração que amanheceu bem pequeno, o que me faz permanecer serena é a certeza de que ela descansou. Eu acompanhei algumas das batalhas de Karla e sei quanto ela sofreu. Entregar-se foi algo legítimo diante do seu cansaço. Pensar que algum propósito divino determinou que seu ciclo chegasse ao fim conforta um pouco minha alma.
Que aí em cima haja menos dor, minha amiga. Haja mais sorriso, mais festa, mais alegria. Você precisava tanto viver tudo isso de novo, não é? Quando chegar a minha hora, quero que me receba e me conte tudo dessa sua jornada. Que Deus proteja o coração de sua mãe, suas irmãs e seus amigos e familiares que ficam. E te faça seguir sem se preocupar com a dor deles, que vai passar um dia. E vira saudade. Eu também conheço esse rito.
Meu coração miúdo hoje quer lhe dizer que você foi uma grande guerreira. Que eu vou me lembrar de você sempre que alguma batalha grande se aproximar – sua força será sempre uma inspiração. E que foi um prazer imenso aprender tanto com a sua história, nessa vida.
Descansa, amiga. Você merece essa paz.
Vou sentir saudade.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O meu filtro solar ou coisas que aprendi ao longo dos trinta... rs
•... que ser tratada com grosseria é um sapo que não preciso engolir. Se alguém se manifesta de forma agressiva, eu deixo falando sozinho, saio de cena, ignoro. Alimentar gente assim só nos faz gastar energia desnecessariamente.
•... que esperar alguém chegar para completar sua vida é perda de tempo e erro estratégico. Ninguém se completa além de você mesmo. Esperar que o outro preencha espaços vazios pelos quais você é responsável é uma tremenda injustiça – com o outro e com você mesmo.
•... que conviver com pessoas inteligentes emocionalmente é uma bênção, mas que para que elas se tornem maduras também tiveram que viver seus tropeços. Paciência é uma virtude poderosa para quem deseja ser feliz em todo tipo de relacionamento.
•... que NINGUEM muda NINGUEM. Por mais clichê que isso pareça, fato é que poucos conseguem entender. Nós, mulheres, temos um vício de querer “consertar” as pessoas, especialmente os homens, que nos faz cometer erros gigantes em toda relação.
•... que o único tempo de que se tem controle é mesmo AGORA, e que ele pode ser uma grande delícia se você parar de depositar toda sua energia na expectativa do futuro ou se lamentando pelo que passou. O PRESENTE é tudo que conseguimos mudar.
•... que com o tempo levantar das quedas se torna um processo mais fácil e rápido que antes, e que sofrer em demasiado se torna uma escolha, sim, de como você quer levar a sua vida.
•... que, apesar de toda a dor que as quedas geram, atirar-se na vida é a melhor escolha.
•... que os que vivem impetuosamente vivem melhor, mas nem sempre vivem mais; e que uma dose de ímpeto com algum lastro de razão geram o equilíbrio necessário para nos mantermos em pé – e caminhando para frente.
•... que bichos são seres adoráveis e conviver com eles nos torna, sim, seres humanos melhores.
•... que os amigos são cruciais para o nosso amadurecimento, que atraímos semelhantes por energia e que o milagre da existência está calçado em nossa capacidade de construir e sustentar grande amizades. E que não dá para ser amigo de muita gente. Qualidade é mais importante que quantidade quando se trata desse tipo (e de qualquer tipo) de relação.
•... que beleza importa, que é sim um diferencial, mas que definitvamente não é responsável pelo encanto de uma pessoa. Com o tempo você se torna muito mais envolvido por um bom papo e um coração farto que por um rostinho bonito e só.
•... que cuidar-se, que amar o seu próprio templo, é mais que um presente que você dá ao seu parceiro(a) – é um presente que você se dá. Gostar do que se vê no espelho influencia no nível de vibração que você emite, e consequentemente no perfil de gente que você atrai.
•... que a vaidade, numa medida normal, é legítima e importante.
•... que pessoas egocêntricas são muito tristes e você tem que cuidar para não se parecer com elas.
•... que é importante aprender a conviver consigo mesmo e estar bem só antes de estar bem com qualquer outra pessoa.
•... que se perdoar é crucial para se manter em liberdade – e são.
•... que alguns momentos de perda de juízo não te tornam inconseqüente. Mas que viver certas coisas com olhos bem abertos faz sua memória registrar coisas incríveis para sempre.
•... que caráter é uma escolha que se faz cedo e você não pode obrigar todo mundo a valorizar este bem como você valoriza. E vai te causar menos dor evitar ter perto gente sem.
•... que a dor nos torna sim mais fortes e que o aprendizado gerado nas quedas é justamente o que nos impulsiona para os grandes vôos.
•... que você é absolutamente perfeito aos olhos de Deus, e que não importa qual o nome que você dê a esse ser superior – Ele existe.
•... que a idade de alguém pouco importa num tempo em que a maturidade da alma e a juventude do corpo são absolutamente diferentes do que acontecia há 50 anos.
•... que questões ambientais não estão só nos livros de geografia e que a mudança dos nossos hábitos pode sim fazer alguma diferença na forma como nossos filhos viverão amanhã.
•... que não somos uma ilha, nem seres estanques, nem é saudável viver em bolhas. Relacionar-se pode ser doloroso e difícil, mas crucial para sermos, efetivamente, humanos.
•... que títulos e certificados dizem muito pouco sobre alguém. Saber onde se esteve e como se passou a vida é essencial para entender o que há por trás das máscaras. E saber isso é mais fascinante que entender apenas a superfície de alguém.
•... que liderar pelo coração é mais macio que pela imposição de respeito pura e simples.
•... mas que ser flexível não é ser tonto(a).
•... que a moderação em tudo (comida, expressão de sentimento, vaidade) é o que nos torna seres equilibrados e saudáveis.
•... que vício (de todo tipo) mata aos poucos. E se livrar deles é uma opção pró-vida.
•... que ler à noite alimenta a alma e que TV é algo que se precisa consumir com moderação.
•... que internet é fascinante pela capacidade de conectar pessoas, mas também deve ser usada moderamente. Do mesmo modo que aproxima, a rede nos distancia cada vez mais um dos outros.
•... que a linha entre a vida e a morte é muito, muito tênue. E que nos compete fazer de cada segundo o mais especial que pudermos, como se tudo fosse acabar em cinco minutos.
•... que investir em autoconhecimento traz retornos incomensuráveis e que se você gastar menos em roupa e mais em treinamentos e livros pode te ajudar inclusive a ter mais subsídio financeiro para gastar (melhor) comprando roupas.
•... que não existe investimento com possibilidade de grandes ganhos sem altos riscos.
•... que as vida e as pessoas só podemos nos surpreender negativamente se depositamos muitas expectativas nelas. E que moderar esse investimento de expectativa (em coisas e pessoas) nos liberta.
•... que precisamos encarar a vida menos a sério para sermos mais felizes. E a felicidade é a única razão pela qual estamos todos caminhando em frente.
•... que visitar o passado e editar algumas cenas, quando encaramos a vida como um filme imenso, é importante para criar algo bacana de ser assistido e contado ao mundo um dia.
•... que ter orgulho da própria história, não importa qual seja ela, é importante para sustentar nossa cabeça erguida enquanto caminhamos.
•... que levar a vida de um jeito mais leve e bem humorado, rindo das nossas próprias falhas, pode inaugurar em você um tempo de felicidade mais permanente que o tempo de melancolia.
•... e que não existe ninguém que estará 100% feliz todas as vezes – e encarar a tristeza e todos os bichos que habitam em nossa alma também é um grande exercício de coragem.
•... que ser sincero e buscar a verdade sempre é algo bem difícil, mas que determina o seu modo de se relacionar com o mundo – e te torna efetivamente alguém melhor.
•... que açúcar faz mal, mas que você não precisa se culpar por gostar de chocolate (de novo, moderação é sempre o segredo).
•... que não existe fórmula mágica para nada e que cada ser é único e INSUBSTITUÍVEL SIM.
•... que se apaixonar, como todo risco, é uma delícia apesar de ser perigoso.
•... e que isso acontece muitas e muitas vezes ao longo da sua vida.
•... que se apaixonar por si mesmo é ainda melhor.
•... que tomar muito sol sem protetor nos faz envelhecer mais depressa.
•... e que por isso usar filtro solar é mesmo um conselho sábio.
•... principalmente que a lista do que se aprende na vida, em qualquer idade, estará sempre em permanente construção. E quanto mais coisas você aprender mais rápido, melhor você viverá.
•... que esperar alguém chegar para completar sua vida é perda de tempo e erro estratégico. Ninguém se completa além de você mesmo. Esperar que o outro preencha espaços vazios pelos quais você é responsável é uma tremenda injustiça – com o outro e com você mesmo.
•... que conviver com pessoas inteligentes emocionalmente é uma bênção, mas que para que elas se tornem maduras também tiveram que viver seus tropeços. Paciência é uma virtude poderosa para quem deseja ser feliz em todo tipo de relacionamento.
•... que NINGUEM muda NINGUEM. Por mais clichê que isso pareça, fato é que poucos conseguem entender. Nós, mulheres, temos um vício de querer “consertar” as pessoas, especialmente os homens, que nos faz cometer erros gigantes em toda relação.
•... que o único tempo de que se tem controle é mesmo AGORA, e que ele pode ser uma grande delícia se você parar de depositar toda sua energia na expectativa do futuro ou se lamentando pelo que passou. O PRESENTE é tudo que conseguimos mudar.
•... que com o tempo levantar das quedas se torna um processo mais fácil e rápido que antes, e que sofrer em demasiado se torna uma escolha, sim, de como você quer levar a sua vida.
•... que, apesar de toda a dor que as quedas geram, atirar-se na vida é a melhor escolha.
•... que os que vivem impetuosamente vivem melhor, mas nem sempre vivem mais; e que uma dose de ímpeto com algum lastro de razão geram o equilíbrio necessário para nos mantermos em pé – e caminhando para frente.
•... que bichos são seres adoráveis e conviver com eles nos torna, sim, seres humanos melhores.
•... que os amigos são cruciais para o nosso amadurecimento, que atraímos semelhantes por energia e que o milagre da existência está calçado em nossa capacidade de construir e sustentar grande amizades. E que não dá para ser amigo de muita gente. Qualidade é mais importante que quantidade quando se trata desse tipo (e de qualquer tipo) de relação.
•... que beleza importa, que é sim um diferencial, mas que definitvamente não é responsável pelo encanto de uma pessoa. Com o tempo você se torna muito mais envolvido por um bom papo e um coração farto que por um rostinho bonito e só.
•... que cuidar-se, que amar o seu próprio templo, é mais que um presente que você dá ao seu parceiro(a) – é um presente que você se dá. Gostar do que se vê no espelho influencia no nível de vibração que você emite, e consequentemente no perfil de gente que você atrai.
•... que a vaidade, numa medida normal, é legítima e importante.
•... que pessoas egocêntricas são muito tristes e você tem que cuidar para não se parecer com elas.
•... que é importante aprender a conviver consigo mesmo e estar bem só antes de estar bem com qualquer outra pessoa.
•... que se perdoar é crucial para se manter em liberdade – e são.
•... que alguns momentos de perda de juízo não te tornam inconseqüente. Mas que viver certas coisas com olhos bem abertos faz sua memória registrar coisas incríveis para sempre.
•... que caráter é uma escolha que se faz cedo e você não pode obrigar todo mundo a valorizar este bem como você valoriza. E vai te causar menos dor evitar ter perto gente sem.
•... que a dor nos torna sim mais fortes e que o aprendizado gerado nas quedas é justamente o que nos impulsiona para os grandes vôos.
•... que você é absolutamente perfeito aos olhos de Deus, e que não importa qual o nome que você dê a esse ser superior – Ele existe.
•... que a idade de alguém pouco importa num tempo em que a maturidade da alma e a juventude do corpo são absolutamente diferentes do que acontecia há 50 anos.
•... que questões ambientais não estão só nos livros de geografia e que a mudança dos nossos hábitos pode sim fazer alguma diferença na forma como nossos filhos viverão amanhã.
•... que não somos uma ilha, nem seres estanques, nem é saudável viver em bolhas. Relacionar-se pode ser doloroso e difícil, mas crucial para sermos, efetivamente, humanos.
•... que títulos e certificados dizem muito pouco sobre alguém. Saber onde se esteve e como se passou a vida é essencial para entender o que há por trás das máscaras. E saber isso é mais fascinante que entender apenas a superfície de alguém.
•... que liderar pelo coração é mais macio que pela imposição de respeito pura e simples.
•... mas que ser flexível não é ser tonto(a).
•... que a moderação em tudo (comida, expressão de sentimento, vaidade) é o que nos torna seres equilibrados e saudáveis.
•... que vício (de todo tipo) mata aos poucos. E se livrar deles é uma opção pró-vida.
•... que ler à noite alimenta a alma e que TV é algo que se precisa consumir com moderação.
•... que internet é fascinante pela capacidade de conectar pessoas, mas também deve ser usada moderamente. Do mesmo modo que aproxima, a rede nos distancia cada vez mais um dos outros.
•... que a linha entre a vida e a morte é muito, muito tênue. E que nos compete fazer de cada segundo o mais especial que pudermos, como se tudo fosse acabar em cinco minutos.
•... que investir em autoconhecimento traz retornos incomensuráveis e que se você gastar menos em roupa e mais em treinamentos e livros pode te ajudar inclusive a ter mais subsídio financeiro para gastar (melhor) comprando roupas.
•... que não existe investimento com possibilidade de grandes ganhos sem altos riscos.
•... que as vida e as pessoas só podemos nos surpreender negativamente se depositamos muitas expectativas nelas. E que moderar esse investimento de expectativa (em coisas e pessoas) nos liberta.
•... que precisamos encarar a vida menos a sério para sermos mais felizes. E a felicidade é a única razão pela qual estamos todos caminhando em frente.
•... que visitar o passado e editar algumas cenas, quando encaramos a vida como um filme imenso, é importante para criar algo bacana de ser assistido e contado ao mundo um dia.
•... que ter orgulho da própria história, não importa qual seja ela, é importante para sustentar nossa cabeça erguida enquanto caminhamos.
•... que levar a vida de um jeito mais leve e bem humorado, rindo das nossas próprias falhas, pode inaugurar em você um tempo de felicidade mais permanente que o tempo de melancolia.
•... e que não existe ninguém que estará 100% feliz todas as vezes – e encarar a tristeza e todos os bichos que habitam em nossa alma também é um grande exercício de coragem.
•... que ser sincero e buscar a verdade sempre é algo bem difícil, mas que determina o seu modo de se relacionar com o mundo – e te torna efetivamente alguém melhor.
•... que açúcar faz mal, mas que você não precisa se culpar por gostar de chocolate (de novo, moderação é sempre o segredo).
•... que não existe fórmula mágica para nada e que cada ser é único e INSUBSTITUÍVEL SIM.
•... que se apaixonar, como todo risco, é uma delícia apesar de ser perigoso.
•... e que isso acontece muitas e muitas vezes ao longo da sua vida.
•... que se apaixonar por si mesmo é ainda melhor.
•... que tomar muito sol sem protetor nos faz envelhecer mais depressa.
•... e que por isso usar filtro solar é mesmo um conselho sábio.
•... principalmente que a lista do que se aprende na vida, em qualquer idade, estará sempre em permanente construção. E quanto mais coisas você aprender mais rápido, melhor você viverá.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
O sonho da casca que cai
Há muitos anos eu tenho um sonho recorrente. Nunca contei a nenhum dos meus amigos, mas essa semana deu vontade de fazer isso porque de um jeito surpreendente ele virou realidade.
Era assim: eu estava em frente ao sobrado dos meus avôs, em Valença, onde morei por seis anos com minha família. Todo mundo passava por mim sem olhar direito. Eu era sem graça. Achava que era. As meninas bonitas, minhas colegas, eram notadas por todos, paqueradas, cantadas pelos rapazes interessantes. Eu era pré-adolescente, devia ter meus 11 ou 12 anos. Desde aquela época, até um pouco antes, eu já vivia com o fantasma de ter sobrepeso. Nunca fui uma criança magra. Além de ser gordinha, eu me via maior do que realmente era por conta do preconceito óbvio. Sem autoestima, natural que minha autoimagem fosse distorcida também. E isso corroborava para o meu sofrimento. Era um pesadelo. Nesta idade, quando o mundo do romance se descortina e as possibilidades surgem, é bem triste estar “à margem” do padrão social de beleza.
Eu andei à margem muito tempo...
Nesta época este sonho começou a acontecer. Nele, eu saía do meio de uma multidão de gente no calçadão em frente ao sobrado onde morava e começava a flutuar. Subia uns três metros acima do chão, envolta por uma luz dourada que fazia com que todos me olhassem surpresos. E de repente uma “casca” caía do meu corpo e por baixo dela havia uma moça linda, linda, risonha e feliz, sem o sobrepeso e com cabelos magníficos. Eu dizia às pessoas que aquele corpo era um “disfarce” e o que saía de dentro era a verdadeira eu. E esta “eu” verdadeira era uma moça linda, absolutamente linda, de todas as formas que eu sempre quis ser.
Uma trilha sonora linda tomava conta do ambiente. Eu sorria para as pessoas ao meu redor, que não conseguiam fechar a boca diante da cena que viam. Eu conseguia me ver EFETIVAMENTE magra, absolutamente bonita. E leve. Tanto que conseguia voar.
Há um ano e meio este sonho começou a ganhar forma. E a coisa mais impressionante é que a imagem que vejo hoje no espelho é parecida DEMAIS com aquela que via desde a minha infância, flutuando acima do calçadão. Hoje eu sou exatamente aquela mulher sem casca, o que fica dentro do corpo que não era tão meu quanto eu imaginava – mas uma gigantesca proteção, um imenso escudo, que mantive ao redor por muitos anos.
Falta pouco, bem pouco para eu dar início ao arremate desde processo de transformação. Nas próximas horas coisas importantes se definem. Meu novo corpo ganhará o retoque definitivo, a forma desejada, finalmente. Ele, que agora é tão novo (e eu ainda me pego olhando exaustivamente no espelho a nova forma para me convencer que sou eu mesma) vai ficar ainda melhor. E o ciclo da transformação terá chegado ao fim. Restará apenas a manutenção – que é uma das partes mais difíceis, mas estou certa de que conseguirei.
O mais lindo da história da minha vida é me dar conta de que a energia que via nessa forma em suspensão foi responsável pela mudança que aconteceu. O brilho daquele corpo novo, que estava tão distante da realidade de uma vida inteira, finalmente veio à tona. E não é mais sonho. Essa moça de vestido longo de cetim, de silhueta impecável e traços delicados, de sorriso escancarado e energia poderosa sustentando seus pés, sou eu. Sou, finalmente, eu.
Apesar de todas as pedras que sempre há no caminho, movimentar-me com a certeza de que fui responsável pela maior transformação da minha vida faz-me confiante do sucesso. Tudo que desejar com força, que só causa bem e é fruto de um sonho genuíno, eu conseguirei.
Absolutamente TUDO.
Amém! :)
Era assim: eu estava em frente ao sobrado dos meus avôs, em Valença, onde morei por seis anos com minha família. Todo mundo passava por mim sem olhar direito. Eu era sem graça. Achava que era. As meninas bonitas, minhas colegas, eram notadas por todos, paqueradas, cantadas pelos rapazes interessantes. Eu era pré-adolescente, devia ter meus 11 ou 12 anos. Desde aquela época, até um pouco antes, eu já vivia com o fantasma de ter sobrepeso. Nunca fui uma criança magra. Além de ser gordinha, eu me via maior do que realmente era por conta do preconceito óbvio. Sem autoestima, natural que minha autoimagem fosse distorcida também. E isso corroborava para o meu sofrimento. Era um pesadelo. Nesta idade, quando o mundo do romance se descortina e as possibilidades surgem, é bem triste estar “à margem” do padrão social de beleza.
Eu andei à margem muito tempo...
Nesta época este sonho começou a acontecer. Nele, eu saía do meio de uma multidão de gente no calçadão em frente ao sobrado onde morava e começava a flutuar. Subia uns três metros acima do chão, envolta por uma luz dourada que fazia com que todos me olhassem surpresos. E de repente uma “casca” caía do meu corpo e por baixo dela havia uma moça linda, linda, risonha e feliz, sem o sobrepeso e com cabelos magníficos. Eu dizia às pessoas que aquele corpo era um “disfarce” e o que saía de dentro era a verdadeira eu. E esta “eu” verdadeira era uma moça linda, absolutamente linda, de todas as formas que eu sempre quis ser.
Uma trilha sonora linda tomava conta do ambiente. Eu sorria para as pessoas ao meu redor, que não conseguiam fechar a boca diante da cena que viam. Eu conseguia me ver EFETIVAMENTE magra, absolutamente bonita. E leve. Tanto que conseguia voar.
Há um ano e meio este sonho começou a ganhar forma. E a coisa mais impressionante é que a imagem que vejo hoje no espelho é parecida DEMAIS com aquela que via desde a minha infância, flutuando acima do calçadão. Hoje eu sou exatamente aquela mulher sem casca, o que fica dentro do corpo que não era tão meu quanto eu imaginava – mas uma gigantesca proteção, um imenso escudo, que mantive ao redor por muitos anos.
Falta pouco, bem pouco para eu dar início ao arremate desde processo de transformação. Nas próximas horas coisas importantes se definem. Meu novo corpo ganhará o retoque definitivo, a forma desejada, finalmente. Ele, que agora é tão novo (e eu ainda me pego olhando exaustivamente no espelho a nova forma para me convencer que sou eu mesma) vai ficar ainda melhor. E o ciclo da transformação terá chegado ao fim. Restará apenas a manutenção – que é uma das partes mais difíceis, mas estou certa de que conseguirei.
O mais lindo da história da minha vida é me dar conta de que a energia que via nessa forma em suspensão foi responsável pela mudança que aconteceu. O brilho daquele corpo novo, que estava tão distante da realidade de uma vida inteira, finalmente veio à tona. E não é mais sonho. Essa moça de vestido longo de cetim, de silhueta impecável e traços delicados, de sorriso escancarado e energia poderosa sustentando seus pés, sou eu. Sou, finalmente, eu.
Apesar de todas as pedras que sempre há no caminho, movimentar-me com a certeza de que fui responsável pela maior transformação da minha vida faz-me confiante do sucesso. Tudo que desejar com força, que só causa bem e é fruto de um sonho genuíno, eu conseguirei.
Absolutamente TUDO.
Amém! :)
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Alice na toca
Alice convidou todos os amigos, vizinhos e parentes para sua grande festa. Estava feliz, eufórica, serelepe. Irradiava energia boa, cheia de luz. Contava as horas, os minutos. E veio o grande dia. E chegou a hora mais esperava. E Alice brincou com seus amigos, repleta de gente ao redor. Um festival de abraços, e beijos, e sorrisos, e música. Cores e festa e brincadeiras. Tudo foi mágico. Tudo se registrou em sua memória e salta vez em quando em sonhos, lembranças estáticas, cheiros e sons.
Tudo foi bom. E intenso. Como na vida dela eram as coisas. Viveu com paixão todo aquele tempo. Então ela acordou. E lá fora fazia frio. E havia nuvens cinzas. Alice fechava os olhos para lembrar do calor e das cores, para voltar àquelas memórias que lhe aqueciam o coração. Mas o frio aumentava e ela enfurnou-se em sua caverna, num buraco cavado por ela, que ela não gostava de ficar. Lá dentro, ela não tinha a obrigação de sorrir. E com tanto frio à sua volta, estava difícil parecer feliz.
Então Alice, depois de ensaiar sair de sua toca, sentou de vez no buraco e de cobriu. Seu coração não aqueceu e ela não conseguiu chorar. Apenas se sentiu só, essa emoção velha conhecida, e deixou-se ficar ali um pouco. Sem que ninguém visse seu semblante sério. Sem que houvesse espelho denunciado sua expressão. Ela sabia que não havia brilho em seu semblante e não queria ser notada por isso. Especialmente porque não havia razão nenhuma aparente para que se sentisse assim.
Alice ouviu uns chamados lá fora, longínquos e sem tanta insistência. De modo que não foi suficientemente motivada para deixar seu abrigo. Dormiu ali algumas horas, mais que devia. Até se dar conta de que precisava, urgentemente, mover-se se novo para fora. Cansada, não sabia como. Queria um solavanco, uma força que lhe impulsionasse. Às vezes precisar usar sua força, sempre toda a sua força, para mexer-se a fatigava. Alice queria, algumas vezes, simplesmente deixar-se levar.
Já não era mais tão jovem, mas estava longe de se dizer velha. Estava naquele lugar em cima do muro onde se vê tudo, onde se tem o mundo ao redor, farto de escolhas e possibilidades. Mas ali se escondia também um tremendo medo de voar. Voar implica em riscos. Abandonar o ninho, coisa que ela bem sabia fazer, parecia arriscado demais para quem acabou de perceber que estava voltando à toca.
Alice buscou desesperadamente a moldura colorida do rosto que viu no espelho no dia da sua festa. Se lembrasse quem era realmente, talvez o impulso da alegria voltasse. E ela gostava bem mais de ser alegre – que ser triste. Foi tirando o cobertor aos poucos. Sentiu frio, mas lançou-se ao banho. Trocou de roupa, perfumou-se. Ainda se sentia muito só, mas contemplar o sol no horizonte no meio da tarde que já começava a aquecer lhe devolveu um pouco de inspiração.
Ainda não era festa, ainda não era aquela alegria apaixonada de antes o que lhe fazia andar. Mas sabia que o seu lugar não podia mais ser cinza, não tanto tempo mais.
Sacudiu a poeira e deixou-se sorrir. Timidamente, por ora.
O esboço do sorriso já fazia seu mundo mudar de cor.
Amanhã haveria de ser mais azul.
Tudo foi bom. E intenso. Como na vida dela eram as coisas. Viveu com paixão todo aquele tempo. Então ela acordou. E lá fora fazia frio. E havia nuvens cinzas. Alice fechava os olhos para lembrar do calor e das cores, para voltar àquelas memórias que lhe aqueciam o coração. Mas o frio aumentava e ela enfurnou-se em sua caverna, num buraco cavado por ela, que ela não gostava de ficar. Lá dentro, ela não tinha a obrigação de sorrir. E com tanto frio à sua volta, estava difícil parecer feliz.
Então Alice, depois de ensaiar sair de sua toca, sentou de vez no buraco e de cobriu. Seu coração não aqueceu e ela não conseguiu chorar. Apenas se sentiu só, essa emoção velha conhecida, e deixou-se ficar ali um pouco. Sem que ninguém visse seu semblante sério. Sem que houvesse espelho denunciado sua expressão. Ela sabia que não havia brilho em seu semblante e não queria ser notada por isso. Especialmente porque não havia razão nenhuma aparente para que se sentisse assim.
Alice ouviu uns chamados lá fora, longínquos e sem tanta insistência. De modo que não foi suficientemente motivada para deixar seu abrigo. Dormiu ali algumas horas, mais que devia. Até se dar conta de que precisava, urgentemente, mover-se se novo para fora. Cansada, não sabia como. Queria um solavanco, uma força que lhe impulsionasse. Às vezes precisar usar sua força, sempre toda a sua força, para mexer-se a fatigava. Alice queria, algumas vezes, simplesmente deixar-se levar.
Já não era mais tão jovem, mas estava longe de se dizer velha. Estava naquele lugar em cima do muro onde se vê tudo, onde se tem o mundo ao redor, farto de escolhas e possibilidades. Mas ali se escondia também um tremendo medo de voar. Voar implica em riscos. Abandonar o ninho, coisa que ela bem sabia fazer, parecia arriscado demais para quem acabou de perceber que estava voltando à toca.
Alice buscou desesperadamente a moldura colorida do rosto que viu no espelho no dia da sua festa. Se lembrasse quem era realmente, talvez o impulso da alegria voltasse. E ela gostava bem mais de ser alegre – que ser triste. Foi tirando o cobertor aos poucos. Sentiu frio, mas lançou-se ao banho. Trocou de roupa, perfumou-se. Ainda se sentia muito só, mas contemplar o sol no horizonte no meio da tarde que já começava a aquecer lhe devolveu um pouco de inspiração.
Ainda não era festa, ainda não era aquela alegria apaixonada de antes o que lhe fazia andar. Mas sabia que o seu lugar não podia mais ser cinza, não tanto tempo mais.
Sacudiu a poeira e deixou-se sorrir. Timidamente, por ora.
O esboço do sorriso já fazia seu mundo mudar de cor.
Amanhã haveria de ser mais azul.
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